CVV Piracicaba completa 37 anos

Eliane Soares é uma das 40 voluntárias do CVV Piracicaba que atende toda a região (foto: Amanda Vieira/JP)

Em 16 de junho de 1982, um grupo de voluntários deu início aos atendimentos do CVV (Centro de Valorização da Vida) em Piracicaba. Era o começo de um trabalho voluntário de apoio emocional e prevenção do suicídio na região com a experiência de uma entidade sem fins lucrativos fundada em 1962 em São Paulo e, hoje, com atuação nacional por meio de cem postos de atendimento.

Somos 40 voluntários em Piracicaba, comenta Eliane Soares, voluntária e porta-voz do CVV em Piracicaba. Em todo o país, o CVV atende pelo telefone 188 – 24 horas e gratuito, pessoalmente, por e-mail, ou chat, com atuação exclusivamente dos 3.000 voluntários

Eliane, explica que o atendimento é sempre gratuito e sigiloso, possibilitando que as pessoas desabafem e conversem sobre assuntos desconfortáveis para falar com conhecidos. “Agimos como um pronto-socorro emocional, recebendo contatos de diversos tipos e perfis de pessoas do todo o país. É muito gratificante saber que podemos ajudar qualquer um, sem discriminação, que precise se sentir acolhido e apoiado”, complementa.

De acordo com o CVV, todos os dias pelo menos 32 brasileiros tiram a própria vida, resultado da falta de prevenção que poderia ter poupado pelo menos 28 dessas pessoas. São dados do Ministério da Saúde e da OMS (Organização Mundial da Saúde) que causam espanto, mas retratam uma realidade de tabus e mitos. Em todo o mundo, estima-se que ocorra um suicídio a cada 40 segundos. Ao contrário do que muitos acreditam, quem pensa em se matar dá sinais e pede ajuda.

Segundo Eliane, o trabalho do CVV tem ganhado mais importância porque, além do atendimento pelo 188, email chat, os voluntários têm realizado palestras em escolas, empresas e grupos religiosos sempre com o objetivo de tal forma que esclarecer as pessoas.

Segundo Eliane, de acordo com estudos da Unicamp, 90% dos casos de suicídios podem ser prevenidos, com esclarecimentos e informação. “Quando vamos fazer uma palestra explicamos sobre algum dos sinais que uma pessoa pode dar. Quem convive não percebe esses sinais que a pessoa está dando, e quando ela comete o suicídio e é feita a reflexão do processo, começa a ligar os fatos e cai a ficha de que as pessoas estavam dando sinais”, contou.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br