De Luana para Helen, Isabela e Lucas

 

Luana é uma menina com olhar alegre e que prende o cabelo repartido ao meio. Tem 12 anos e o sorriso do pai, o comerciante Ulisses Corrêa, que prefere atitudes a discursos para mostrar à filha que ninguém vive sozinho. Os dois foram ontem a uma agência dos Correios, onde conheceram outro personagem, o Vitor Egydio Bicudo Tisiani, outro cara sorridente que também ajuda a colocar sorrisos no rosto de outras crianças como Luana. Esses três são os entrevistados da matéria de Eliana Teixeira, publicada na página A 5 desta edição, que conta sobre a Campanha Papai Noel dos Correios, uma iniciativa simples, feita por cartas que ligam pessoas. Este ano foram 1.334 cartas, mas até agora apenas 382 foram adotadas ou apadrinhadas.

Ulisses – que na mitologia foi herói da Guerra de Tróia – levou sua Luana para adotar três cartinhas que traziam pedidos de Natal: material escolar, mochila de unicórnio e bicicleta – uma usada mesmo já serve, diz o remetente de um dos pedidos. Talvez pela inspiração heróica de seu nome, o seu Ulisses queira mostrar à filha que dar é melhor que receber.

Helen, Isabela e Lucas escreveram com a tinta da esperança para um Papai Noel invisível, porque acreditam ainda na bondade. E a bondade veio pelas mãos de uma Luana, que nem pediu presente de Natal porque andou derrapando nas notas da escola, mas abriu um sorriso sincero para ajudar outras crianças. Atitudes são melhores que discursos, sempre serão.

Nas cartinhas chegam pedidos de bonecas, material escolar, bola, carrinhos e roupas, mas também chegam cesta básica, sapatos, ajuda para mãe… E para as crianças chegam… nessas reticência cabem muitos outros padrinhos e madrinhas de todas as idades. Não é preciso riqueza ou tamanho para participar dessa iniciativa, que permitirá que outras histórias tão bonitas quanto a da tarde de ontem sejam escritas – talvez não num jornal – mas no coração de pessoas que ainda escrevem cartinhas para o Papai Noel. Não sei quantos Ulisses, Luanas e Vitors são necessários, mas sei que ainda há pelo menos mais 952 crianças esperando pelo seu herói nas cartinhas dos Correios.

( Alessandra Morgado)