Dedicação ao Nhô Quim

Eleito, na última semana, para a Seleção do Campeonato Paulista Série A2 2018, o meio-campista jogador do Esporte Clube XV de Novembro de Piracicaba André Gustavo Cunha é o entrevistado desta semana da seção Persona do caderno Arraso+. Com 39 anos de idade, já completou 100 jogos vestindo a camisa do Nhô Quim e diz não pensar, por enquanto, em aposentadoria. Amado pela torcida alvinegra, tem no currículo passagens por times como Ponte Preta e Palmeiras.
 
 
Caçula dos dois filhos do casal Sônia Maria Terra Cunha, gerente de cadastro, e João Carlos da Cunha Junior, bancário aposentado, André Cunha nasceu em 8 de abril de 1979, em Araçatuba (SP). Casado com Aline Carine Torresan Cunha, educadora física, tem um filho de sete anos de idade, o Bernardo. Iniciou a carreira no Penapolense, em 2000, ano em que começou a graduação em educação física, porém, após um ano e meio, teve de interrompê-la para se dedicar exclusivamente ao futebol, por conta das dificuldades em conciliar os estudos com a profissão. Mudou-se para Piracicaba, pela primeira vez, entre 2011 e 2012, período em que estreou no XV de Piracicaba. Depois, retornou ao clube no segundo semestre de 2017.
 
 
De toda a trajetória profissional, o atleta relatou que acumula em torno de 70 gols, entre eles o da volta do XV de Piracicaba ao Campeonato Paulista Série A1, diante do Santos, após 16 anos do clube longe da elite do futebol do Estado. Cunha também falou à reportagem sobre a recuperação após a cirurgia no tendão de Aquiles do pé esquerdo e comentou a respeito dos planos profissionais que tem para este ano.
 
 
Como iniciou no meio esportivo?
 
Desde criança, gosto de esporte. Jogava futebol na rua e também basquete, influenciado por meu irmão, que praticava a modalidade. Na juventude, disputava campeonatos amadores em Araçatuba. Profissionalmente, assinei meu primeiro contrato com o Penapolense, em 2000.
 
 
Quem é o maior apoiador da sua carreira?
 
Minha mãe, que sempre me levava para jogar futebol e me apoia desde então. Ela sempre me incentivava para que eu nunca desistisse do meu sonho de ser jogador de futebol e acompanha todos os passos da minha carreira desde o início.
 
 
Tem alguém em quem se inspira para jogar?
 
Quando comecei a acompanhar mais a fundo o futebol, gostava muito de ver as atuações do meio-campista canhoto José Ivanaldo de Souza, o Souza, que atuou no São Paulo, Corinthians e outras equipes. Dos jogadores que estão em atividade, observo muito o Andrés Iniesta, do Barcelona, da Espanha.
 
 
Você é apelidado por muitos como Lenhador. Por quê?
 
Por conta da minha barba, comecei a utilizar ela um pouco mais longa, com um estilo um pouco mais rústico. A partir disso, comecei a utilizador a hashtag #lenhador e o apelido pegou.
 
 
Por quais times de futebol já passou? Já recebeu convites para atuar em outros times? Quais?
 
Penapolense, Araçatuba, Bandeirante de Birigui, Ponte Preta, Palmeiras, Grêmio Barueri, Fortaleza, Libolo de Angola, São Bento, Batatais, Rio Claro, CRB, Caldense e XV de Piracicaba. Na época que fui da Ponte Preta para o Palmeiras, recebi propostas também de Fluminense, Atlético-PR, Santos, São Paulo e Vitória.
 
 
Quantos gols você já marcou em toda sua trajetória no futebol? Qual mais te marcou e por quê?
 
Não tenho um registro exato, mas creio que marquei em torno de 70 gols ao longo da minha trajetória profissional. Dois me marcaram bastante. Um deles foi na época que defendia a Ponte Preta, em 2004, e marquei um gol diante do Corinthians, no Estádio Moisés Lucarelli, pelo Campeonato Paulista da Série A1. Foi um gol que ajudou a me projetar no cenário nacional, por conta da importância da partida e por ser televisionada. Outro gol muito importante foi na estreia do XV de Piracicaba no Campeonato Paulista Série A1, diante do Santos, jogo que marcou o retorno do clube à elite após 16 anos. Saiu um pênalti para nós, já nos acréscimos da partida, com o estádio Barão da Serra Negra cheio. Pedi para cobrar e foi muito emocionante no momento que concluí a cobrança e pude ajudar a equipe a conseguir um bom resultado em um jogo especial para o XV.
 
 
Quais prêmios já ganhou?
 
Ganhei alguns de destaque da partida e o mais recente foi entrar na Seleção do Campeonato Paulista Série A2 2018, feito que já havia obtido na mesma competição em 2011, pelo site Futebol Interior. Em 2004, fui convocado para a Seleção Paulista, que era treinada pelo Tite, atual técnico da Seleção Brasileira. No mesmo ano, fui considerado por membros da imprensa esportiva como um dos melhores laterais-direitos do Brasil.
 
 
Entrar, aos 39 anos de idade, na Seleção do Campeonato Paulista Série A2 2018 representa o quê para você?
 
Fiquei muito contente por esse reconhecimento do meu trabalho. Agradeço aos meus companheiros, pois, apesar de ser um prêmio individual, isso passa muito pelo grupo que formamos aqui, determinado e com excelentes jogadores. A importância é ainda maior por conta da minha idade, para eu ver que ainda estou atuando em alto nível e ajudando a equipe. Fiquei satisfeito com meu desempenho no estadual, nos jogos que atuei pude contribuir com a equipe. Infelizmente, não conseguimos atingir o objetivo do acesso. Ficamos muito tristes e chateados, porque chegamos até à semifinal e, portanto, chegamos próximos da nossa meta. Agora é bola pra frente e continuar trabalhando.
 
 
Há quanto tempo está no XV de Piracicaba? Como foram suas passagens pelo time?
 
Minha primeira passagem foi de janeiro de 2011 a dezembro de 2012. Retornei em julho de 2017 e estou no clube desde então. Minha primeira passagem foi muito marcante, pois ajudei o clube a retornar à elite do futebol paulista, sendo campeão do Paulistão Série A2 em 2011, onde fui titular em todos os jogos. No ano seguinte, com o XV de volta à disputa do Campeonato Paulista Série A1, depois de 16 anos, foi também um momento muito especial. Isso fez com que me identificasse com o clube e seus torcedores, carinho que se mantém, graças a Deus, até os dias de hoje. Meu retorno foi outro instante de alegria, onde realizamos boas campanhas na Copa Paulista de 2017 e no Campeonato Paulista Série A2 deste ano, competições que chegamos até às semifinais. Ficou um sentimento que poderíamos ir mais longe, mas o saldo dos dois campeonatos é positivo, tanto individualmente quanto coletivamente. Outro fato especial nesta minha segunda passagem é eu ter completado 100 jogos defendendo o XV, na segunda rodada do Paulistão A2, contra o Juventus, na Rua Javari, em São Paulo. Na partida seguinte, contra o Oeste, no Barão da Serra Negra, recebi a camisa referente à marca, entre outras homenagens, e isso me deixou bastante feliz.
 
 
Como é a preparação em campo antes de um jogo?
 
Durante os dias que antecedem a partida, realizamos várias atividades, nas partes técnicas, táticas, físicas e psicológicas. Geralmente, há a concentração na véspera do jogo e no dia seguinte há a preleção com o técnico, onde são passadas as orientações sobre o que devemos fazer em campo, além da conversa com os companheiros e o aquecimento. A alimentação é outra questão muito importante e que sempre observei com cuidado. Isso me ajuda a estar atuando em alto nível até hoje. 
 
 
Recentemente, você passou por uma cirurgia no tendão de Aquiles do pé esquerdo. Como se machucou? Como está sendo sua recuperação? Por quanto tempo você ficará sem disputar jogos?
 
Foi na última rodada da primeira fase do Campeonato Paulista Série A2 deste ano, com o São Bernardo, no estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo do Campo, em um lance isolado. Ao fazer um movimento após o domínio da bola, senti uma forte dor no pé esquerdo. O atendimento médico foi solicitado, precisei ser substituído e, depois, com a realização dos exames, foi constatada a lesão. Passei por um procedimento cirúrgico e iniciei a reabilitação com o fisioterapeuta do clube, Marcel Guarda, dias depois. O tempo total de recuperação estimado nesse tipo de caso é de três a cinco meses, mas vou me dedicar ao máximo e fazer tudo possível para voltar aos gramados o quanto antes.
 
 
Como foi ficar de fora da decisão para o acesso do XV à elite do futebol paulista?
 
Fiquei muito chateado, pois se tratava de um momento muito importante para a equipe, depois de muita luta, que resultou na recuperação e no crescimento do nosso time durante a competição. Tivemos um início complicado, por conta de resultados negativos expressivos, que fez com que a qualidade do elenco, por parte de alguns, fosse questionada. Mas nós, jogadores, diretoria, comissão técnica e os demais, nos fechamos e isso fez com que obtivéssemos uma arrancada, que culminou na nossa classificação. Desta forma, foi triste não estar em campo para ajudar meus companheiros e o XV no intuito de conquistar o acesso, que era nosso objetivo desde o início do torneio. Porém, isso passou, minha cabeça está boa e estou focado na recuperação para em breve voltar às atividades normais.
 
 
Quais são seus planos profissionais para 2018?
 
Recuperar-me o mais breve possível, voltar aos treinamentos e, consequentemente, aos jogos, para poder vestir novamente a camisa do XV de Piracicaba e dar alegrias aos torcedores do clube. Tem a Copa Paulista pela frente e até o início desta competição devo estar apto a atuar. Será mais uma oportunidade de recolocar o clube de volta ao cenário nacional, já que o campeão pode escolher entre a vaga na Série D do Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil. Apesar do que muitos imaginam, a Copa Paulista é muito importante e eu quero estar nas melhores condições possíveis para colaborar nessa campanha.
 
 
Você é muito estimado pelos torcedores do XV. Como avalia isso?
 
É algo que me deixa lisonjeado, porque se trata de um reconhecimento ao trabalho e dedicação que sempre tive no clube. Aqui, os torcedores são apaixonados e fanáticos e isso torna o grau de exigência e a cobrança maiores e faz este carinho ser ainda mais especial. Tenho muito respeito pela torcida, pelo clube e pela cidade, os quais me acolheram desde minha chegada. Como disse anteriormente, foram momentos marcantes aqui: o título do Campeonato Paulista Série A2 em 2011, que fez com que o XV voltasse a disputar a principal divisão de São Paulo depois 16 anos; o gol na estreia da Série A1 no ano seguinte, contra o Santos, no Barão; a recepção no meu retorno; a marca de 100 jogos com a camisa do clube. Enfim, tenho uma história importante aqui e isso não foi de graça.
 
 
O quanto a torcida influencia em uma partida de futebol?
 
Influencia muito. Ter muitos torcedores no estádio, cantando e incentivando o jogo todo nos motiva demais, ainda mais aqui no XV, que conta, como disse anteriormente, com uma torcida apaixonada. Foram várias partidas aqui no XV que a torcida fez a diferença em nosso favor. Na própria Série A2 de 2011, foram diversos momentos inesquecíveis que eles estiveram ao nosso lado. O Barão esteve lotado em vários instantes e a nossa chegada em Piracicaba após a confirmação do acesso na partida em Monte Azul, com os donos da casa, foi algo sensacional. Teve a final contra o Guarani, a estreia no Barão na Série A1 do ano seguinte e mesmo nessa minha segunda passagem. Ter o torcedor ao nosso lado é fundamental.
 
 
Você pensa, hoje, em se aposentar?
 
Ainda não penso em parar, isso não passa na minha cabeça. Enquanto tiver condições físicas e técnicas de continuar jogando e ajudando meus companheiros e o clube que estiver defendendo, pretendo seguir em frente.
 
 
Já tem em mente o que fazer quando parar de jogar?
 
Pretendo continuar meus estudos e seguir, de repente, para a área da educação física, nutrição ou outro campo de atuação no qual possa me especializar. É uma ideia que ainda tenho que amadurecer, refletindo com calma e conversando com meus familiares. (Colaboraram Sabrina Franzol e Leonardo Moniz)