Deficiente auditiva representa Piracicaba em evento de arte urbana

Raquel já passou por período de negação e hoje é ativista da diversidade surda (Foto: Claudinho Coradini/JP) Raquel já passou por período de negação e hoje é ativista da diversidade surda (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A controller Raquel Moreno, que adotou Piracicaba como sua cidade do coração, vai participar do Ear Parade, o primeiro evento de arte urbana no mundo relacionado a saúde auditiva, que acontecerá de 6 a 10 de maio, no Shopping Frei Caneca, em São Paulo.

Durante o evento, Raquel fará a pintura de uma orelha com a ajuda de uma profissional de Lettering (criação de letras desenhadas à mão). As 50 esculturas customizadas serão expostas em locais de grande circulação na Capital, de acordo com a organização do evento. Para encerrar, no final de maio acontece o leilão beneficente, onde parte do dinheiro arrecadado será convertida em benefício de entidades assistenciais que prestam trabalho de restabelecimento da audição e combate ao preconceito.

“Sou surda adquirida. Em 1996 já era surda completa do lado direito e aos poucos foi perdendo a audição do lado esquerdo. Menti para mim e para todo mundo por ignorar a deficiência. Achei que tinha apenas um probleminha de audição. Quando chegou a grau profundo, a leitura labial perdeu força. Precisou sair do armário da surdez”, comentou.

Atualmente, Raquel utiliza implante coclear e vem se redescobrindo a cada dia.
Segundo ela, após a ativação do aparelho há cinco meses ela aprendeu a ouvir de novo. “Eu tiro ele em casa, porque meu cérebro acostumou com o silêncio, mas gosto de ouvir todos os barulhos da rua”, afirmou.

A surdez propiciou uma nova visão de mundo para Raquel, que hoje faz palestras voluntárias e é uma ativista da diversidade surda. “Tive a inspiração de participar do projeto do Ear Parede, foram muitas inscrições, mas a minha foi aceita. Sou uma das artistas. Em minha obra vou colocar palavras de incentivo e outras que fazem parte da vida do surdo”, comentou.

A ativista tem a pretensão de atingir o maior número de pessoas possível. “Estou aprendendo a ouvir novamente. Durante um tempo fui perdendo a audição e passei por um processo de negação. Tanto para mim, como para os meus familiares mais próximos. Após passar por esse processo e vivenciar uma nova fase da minha vida, percebi que posso auxiliar as pessoas na diversidade da surdez”, conta.“Meu marido é meu grande apoiador nas minhas palestras. Por muito tempo passou essa experiência comigo ao longo de nossos 20 anos de casamento”, afirmou. No próximo dia 26, Raquel estará na Câmara de Piracicaba para falar sobre a diversidade surda. No dia 14 de maio fará uma palestra em Maceió sobre a causa.

Cristiani Azanha