Depende de nós

Ao ouvir a música “Depende de nós” de Ivan Lins, comecei a me perguntar porque existem tantas diferenças no mundo; porque existem preconceito, incompreensão e medo. Porque as pessoas vivem em constante alerta. Porque prevalece sobre a ética, a postura de levar vantagem em tudo.

Desde o início de minha vida pessoal e profissional levo comigo algumas lições que recebi de meus pais e da escola que frequentei, aos quais devo a minha atual condição: honestidade, justiça, integridade, respeito ao próximo e amor. O mais intrigante de tudo isso é que existe, atualmente, uma inversão de valores, onde os que citei, passaram a ser exceção. Não sei se toda a mudança ocorrida no mundo moderno com o acirramento da competição entre as nações, pessoas e empresas, têm feito de nossa comunidade um bloco de gelo, ou se, simplesmente esta é uma característica do nosso povo.

Em uma de minhas viagens pelo interior do Estado, há alguns anos, trabalhando como consultor de empresas, fui convidado a ministrar uma palestra sobre a minha profissão, em uma escola estadual de segundo grau. Ao entrar em suas dependências, esperava poder relembrar as cenas que ainda estão guardadas em minha memória, dos tempos em que estudei. Encontrei uma escola escura, totalmente pichada, alunos desinteressados e professores acuados. Sei que não posso generalizar, mas a realidade do ensino público, não era, naquele momento, a realidade de trinta anos atrás.

Talvez tudo aquilo que disse no início deste artigo se dá em função de uma só palavra: Educação. As pessoas sem Educação, têm medo, têm preconceito, são incompreensíveis e, acima de tudo, não respeitam limites. Longe de mim querer fazer aqui qualquer tratado filosófico, mas acredito que Hobbes, ao dizer que “o homem é o lobo do próprio homem”, há alguns séculos, tinha a exata noção do que estava dizendo. A deterioração dos valores do homem se dá por falta de uma base educacional e familiar mais sólida. Somente nestes dois pilares é que conseguiremos mudar a característica do nosso Município, do nosso Estado e do nosso País. Não basta somente criticarmos. Precisamos fazer algo, com consistência e acima de tudo com objetivo.

A formação de padrões curriculares mínimos se tornou um grande avanço para o despertar das escolas para uma nova mentalidade. As provas do Enem e do ensino superior têm criado, junto às instituições, ações para a mudança. A exigência de professores mais capacitados têm despertado o interesse pela melhoria na formação individual.

Precisamos entender que o resultado destas mudanças, virão a longo prazo e talvez os filhos dos nossos filhos estarão inseridos em um novo tempo.

No momento em que ajudamos na solução dos problemas de nossa sociedade, teremos quebrado um dos paradigmas mais cruéis do ser humano: pensar que a solução dos problemas que estão ao nosso entorno são atribuições sempre dos outros. A solução da educação neste País não é só problema do Governo ou das instituições públicas e privadas de ensino. O problema também é de todos nós. Do meu ponto de vista, sua resolução será o prenúncio de dias melhores, onde a visão de uma sociedade mais justa trará a todos os brasileiros, a esperança de melhores condições de vida.