Desejos

Desejar é um impulso contínuo durante toda a vida. Esse instinto que avassala nossas mentes, nos mantém em eterno desassossego.

As coisas que mais desejamos, geralmente são as mais esquivas e, não raro, aquilo que queremos por muito tempo, ao alcançá-lo, não mais o queremos.

Terrível é quando alguém, desiludido por não conseguir ver realizados seus mirabolantes desejos, passe a pensar como o ator da peça de Imre Madách em: “A Tragédia do Homem” – Não quero mais me entusiasmar por nada: / O universo que gire como queira, / Já não me empenho em consertar-lhe as rodas, / E indiferente hei de vê-los aos trancos…. / “Estou exausto – o que quero é descanso”.

No entanto, são os desejos responsáveis pela motivação de nossas vidas. Sobre ele construíram vários mitos: Alexandre, com 16 anos foi presenteado com o cavalo chamado Bucéfalo; os domadores da corte não conseguiram amansá-lo e ao descobrir que Bucéfalo se assustava com a própria sombra colocou-o de frente para o sol que o cegava, assim conseguiu domá-lo. Foi seu companheiro de guerra por 20 anos. Morreu no retorno da ruinosa campanha até a Índia.

Outro mito é o do Nó Górdio. O rei da Frigia morreu sem deixar herdeiro. O oráculo profetizou que o novo rei chegaria à cidade num carro de boi. O felizardo foi um camponês chamado Górdio; aclamado pelo povo crédulo, amarrou seu carro numa coluna do templo de Zeus, com um nó inextrincável. O oráculo declarou que quem desatasse conquistaria a Ásia Menor. Quinhentos anos após o nó desafiar guerreiros e generais, Alexandre cortou-o com golpe de espada e tornou-se senhor da Ásia Menor.

Finalmente, atendendo ao pedido, os três últimos desejos de Alexandre em seu leito de morte: 1° Quero que meu caixão seja transportado pelos meus médicos, para mostrar que eles não têm poder da cura perante a morte; 2° Quero que o chão seja coberto pelos meus tesouros, para que as pessoas possam ver que os bens materiais aqui conquistados, aqui permanecem; 3° Quero que minhas mãos balancem ao vento para que as pessoas possam ver que de mãos vazias viemos e assim partimos.

Em minhas aulas na época do Cursinho, acrescentava outra por conta e risco, mas válido para despertar curiosidade e ajudar na memorização. Eis: Alexandre antes de encetar sua marcha contra Dario III, rei da Pérsia, foi consultar o Oráculo de Delfos. Ouviu a seguinte fala: Irás Voltarás. Não, morrerás na guerra.

Não morreu em batalha, mas não retornou a sua terra, pois faleceu provavelmente de febre tifoide. Os generais foram pedir explicações a oráculo e receberam a seguinte resposta: “Ele não entendeu o vaticínio, pois, foi-lhe dito: Irás. Voltarás? Não morrerás na guerra!”

Esta versão, não encontrei em nenhum compêndio, mas fazia sucesso com os alunos que gostavam de curiosidades. Há mais um: pouco antes de dar o último suspiro seus quatro principais generais, ao lado de seu leito de morte quiseram saber com quem ficaria o comando de seu império. Alexandre, lacônico, apenas disse: com o mais digno. Seus generais foram sábios, não disputaram entre eles quem era o mais digno, mas repartiram o império em quatro partes, por sinal o Egito coube ao gen. Ptolomeu, que teve como descendente muitos anos depois, a rainha Cleópatra.