Desigualdade de gênero

É preciso agir com energia contra a desigualdade de gênero.
No magistério, ela se expressa, entre outros, no tempo maior que as mulheres levam para chegar a cargos de direção e também nas diferenças de remuneração entre diretores e diretoras. É o que aponta um levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo com base na Prova Brasil de 2017.

A análise da pesquisa mostra que mulheres adiam decisões relativas à pós-graduação – que importam para elevar os salários – e a concursos ou eleições para a Diretoria de escolas em razão de obrigações domésticas e com os filhos, o que inclui a própria decisão de ser mãe.

É preciso que fique claro para todos que as decisões que as mulheres tomam não passam em branco no campo dos julgamentos morais.

Se quer se dedicar ao trabalho e não ter filhos, é insensível, masculinizada, egoísta frente à dádiva da maternidade biológica. Se quer ser mãe, é preguiçosa e quer desperdiçar talento sendo dona-de-casa. Se quer trabalhar e ter filhos, ou trabalha mal, ou é uma péssima mãe. Ou os dois. Ou seja, não há saída.

No plano social, há uma luta a ser empreendida, que é a necessidade da cultura machista se adaptar a mulheres que trabalham e são mães. Isso envolve maior compartilhamento de responsabilidades entre mães e pais e compreensão das pessoas às particularidades do feminino.

No plano das políticas públicas, nosso mandato defende o que se apontou no artigo: medidas para mitigar as desigualdades e políticas públicas de estímulo à formação de lideranças femininas nas instituições, com apoio às mulheres vocacionadas que optem por seguir esse caminho.

Esse é um desafio que envolve a todos e que só irá prosperar se o assunto for debatido com seriedade, sem o populismo barato que tem pautado manifestações sobre a vida das mulheres – lamentavelmente protagonizamos por outras mulheres que prestam um desserviço ao seu gênero!