Dia do Professor

Plinio Montagner

Dia do Professor. Dia do professor, por quê? Dia do professor são todos os dias, igual ao dia das mães. Mães e professores são para a vida toda. A vida é um eterno aprendizado. Quem sabe fazer uma listinha de compras, redigir uma nota fiscal, ler uma placa de propaganda, o gibizinho do “Chico Bento”, uma bula de remédios, uma receita, redigir um bilhete é porque passou pelas mãos de um professor. Somos o que somos devido aos nossos pais e professores.

Mas alguns governos de países em que a população vive na miséria e na ignorância desdenham a verdade, e por isso eliminam da lista de prioridades a valorização dos profissionais do conhecimento, da saúde e da segurança, principalmente.

A ignorância e o quando pior melhor para dominar. Essa é a intenção dos governos que muitos eleitores não entendem, e se percebem, se aproveitam por conveniência, ou talvez por inocência, ou estupidez mesmo.

Os professores estão sem energia, sem salários; a segurança com medo, policiais desprovidos de equipamentos e armas compatíveis a dos criminosos; a Saúde sem hospitais e hospitais sem medicamentos, médicos, aparelhos, leitos, sangue. E patriotismo zero. É o culto à ignorância e à corrupção num “viva” à miséria, à ignorância, um caminho fácil ao socialismo e ao fascismo.
Ser professor é sofrer, é pertencer a uma profissão desvalorizada, a que menos ganha e desrespeitada pelos políticos e alguns partidos num tipo de conluio do mal.

Se os professores de nossas escolas públicas não abandonam o barco é porque precisam desse salário, mesmo indigno. A figura do professor há muito perdeu a vez, é um intruso na sala de aula, pois se demonstrar autoridade e coragem a encarar um aluno malcriado ele poderá ser censurado.

Um professor da “antiga” não daria aulas hoje. Ele seria morto.

Sobre esse fato a escritora Lya Luft escreveu: “Sala de aula é para trabalhar, pátio é para brincar. Caso um professor seja severo e exigente com a classe ou com um aluno, com certeza será processado pelos pais”.

E por nossa conta: seria agredido. Os direitos humanos são parciais: valem mais, muito mais, para os criminosos do que para as vítimas que foram agredidas em seus bens e valores morais e físicos. O que acontece, proteção ao inverso e mal intencionada.

Os alunos de algumas escolas públicas não estão motivados a estudar e respeitar professores porque sabem que serão aprovados por instrumentos que garantem seus assentos nas universidades. Um não à competência.

A extensão do paradoxo assusta. O produto do trabalho dos mestres, que é a harmonia, é preterida pelos maus governos, fatos tão bem relatados por Maquiavel:
“Povo que não pensa facilita os propósitos dos governantes corruptos e inimigos da nação, porque quem sabe tem desempenho melhor, mais argumentos para discutir, refletir, pensar e se expressar”.