Diminuindo a árvore de Natal…

Maria Helena Aguiar Corazza.

Interessante à ideia daquela mulher quando me disse: “Estou diminuindo a minha árvore de Natal”, e continuou: “Chega um dia em que a família cresce de repente e vai ficando tão numerosa que a gente quase não dá mais conta de atender a todos, pois acabam ficando tantos”… “Quando todos eram menores, o Natal provocava aquela espera ansiosa pelo dia, com roupas e sapatos novos a serem estreados e eram alegria e preparativos que não acabavam mais”!

“Atualmente, no Natal uns viajam, outros vão para a casa de parentes ou debandam para a praia ou para a montanha porque precisam descansar do tumulto do dia a dia, outros que aproveitam para se reunir com amigos que não veem há muito tempo, e assim fica difícil manter na família aquele motivo certo de pessoas que se encontravam para que a festa pudesse ser comemorada, adequadamente como em tantos Natais passados… Por isso cheguei à conclusão que vou diminuir minha árvore de Natal também, ela afirmou!”.

Olhei então para a minha velha árvore que já enfeitou tantos Natais felizes e, não pude deixar de concluir que ela tinha razão: árvore grande para uma quantidade razoável de convidados, mas, se muita gente não consegue aparecer mais, para que teimar no aparato anterior que, diga-se de passagem, dava um trabalhão danado?

A verdade é que “a vida mudou”, as crianças cresceram e seus sonhos já não são os mesmos, e, a gente acaba lastimando, que inclusive o “presépio” com Jesus, Maria e José de tanta História e devoção específicas, quase passa despercebido se não forem alertadas por algum dos mais velhos que insistem pelo significado de importância impar que tem. (Afinal o que lembra mesmo o Natal?).

Por isso, ela ia dizendo, “vou diminuir o tamanho da minha arvore de Natal que tomava uma parte enorme da sala e, nas cores dos enfeites, dos pisca-piscas e estrelas reluzentes iluminavam os presentes que ficavam embaixo dela para, no momento oportuno (geralmente antes da ceia ao som de “Noite Feliz”), serem entregues e distribuídos naquela algazarra ingênua de escolhas, torcidas, risadas e surpresas ao serem abertos…” (Quanta emoção sadia, meu Deus!).

No entanto importa acima de tudo que esta emoção permaneça e não morra e, que mesmo com tristezas, decepções e dificuldades pelos quais a Vida passa, possamos cultuar e respeitar nossas lembranças, valores, atitudes e sentimentos pelo que valem mesmo a pena serem lembrados e celebrados e, que a gente se convença que, com árvores de Natal de qualquer tamanho em qualquer local e ambiente consigamos fazer de cada um de nós, um “Homem Novo”, de mais caráter, digno, leal, correto e bom!

M. Helena Corazza é escritora e ex-presidente da Academia Piracicabana de Letras.