Diretor Karim Aïnouz começa a filmar em maio nova ficção

Haja resistência, Karim Aïnouz passou por um período de recolhimento, pensando na vida, desenvolvendo projetos. Agora, é arregaçar as mangas e trabalhar. Além da emoção de estar de volta à Berlinale, apresentando seu novo filme – o documentário Aeroporto Central -, ele se prepara para dois anos de muita atividade. Em maio, filma no Rio a nova ficção, A Vida Invisível. Com produção de Rodrigo Teixeira, o filme retrata o universo feminino por meio de duas mulheres nos anos 1950.

“Para mim, essa história evoca muito minha mãe e minhas tias. O lugar de fala das mulheres, a afirmação do matriarcado numa era patriarcal. É um filme que, no meu imaginário, tem uma riqueza muito grande, e ainda tem essa coisa de trabalhar num registro de época. Acho que vai ser bem bom.” Para o segundo semestre emenda um documentário sobre a mítica namorada de Oswald de Andrade, a Miss Cyclone, com quem ele viveu um breve, intenso e também trágico relacionamento antes da Semana de Arte Moderna de 22.

Dois filmes de, ou sobre mulheres, e aí Karim Aïnouz espera ter uma brecha para voltar ao universo masculino, para desenvolver um projeto que o assombra há tempos – um filme sobre seu pai, esse estrangeiro que sumiu no mundo e que o deixou entregue a essa casa de mulheres – a mãe, a avó e cinco (cinco!) tias.

Aïnouz credita a essa formação particular o sentimento de deslocamento que atravessa seu cinema – e seus personagens. Quando finalmente foi morar com o pai, em Paris, não era considerado brasileiro – mas argelino. Tudo isso representa muito trabalho, e para 2019 ainda tem Favela High-Tech. A adaptação do livro de Marco Lacerda já tem o financiamento, mas Aïnouz filma só no ano que vem. O Japão, nada idealizado, pelos olhos de um estrangeiro. O deslocamento, sempre.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.