Discurso e prática: o desafio do político

Matheus Erler

Peço licença ao grande jornalista piracicabano, e também ao Jornal de Piracicaba para citá-lo diante de todo seu notório reconhecimento, que trouxe a seguinte frase: “meu resumo sobre a República: a verdadeira corrupção está em permitir imoralidades embutidas na legalidade”. Com tão poucas palavras, mas com sua costumeira sabedoria, o jornalista Evaldo Vicente oportunamente traz à luz um diálogo que nós, políticos e sociedade, devemos manter como permanentes.

E quando trago toda a sociedade para esta responsabilidade é porque entendo que a vigilância deva ser contínua e rigorosa sobre nós, seus eleitos. Alguns sutis sinais de que os velhos modos da política possam ressurgir foram dados nos pleitos que se passaram e, avistando uma onda, pode-se imaginar que em Piracicaba também há ambiente para um retrocesso. Não há.

A sociedade piracicabana hoje é bastante atenta a seu Legislativo e ao seu Executivo. Participa, opina, pondera e critica quando acha que é importante ou que não se faz ouvir. E só se silencia quando percebe que, mesmo à distância, os seus interesses estão sendo respeitados e suas demandas tratadas.

O Ministério Público, defensor dos diretos da cidadania e guardião do uso correto do erário, mantem-se alerta a qualquer possibilidade de erro administrativo que de, alguma maneira, ameace comprometer processos de renovação e correção da gestão pública em todas as esferas de governos. Uns, avaliam como intromissão, eu entendo como orientador e balizador de um novo comportamento do qual, pessoalmente concordo e pratico. Dá trabalho? Interfere até mesmo na vida pessoal de nós, gestores públicos? Sim, mas retire do ambiente focos que podem contaminar todo um corpo e proteja este mesmo corpo de uma infecção generalizada.

E este é o grande ponto. Não cabem mais comportamentos políticos que distanciem discurso e prática. Palavras, promessas, encantamentos não mais são suficientes para se provar uma conduta. É preciso prática, números, projetos, disponibilidade, planejamento, execução, a viabilidade da atuação parlamentar e a responsabilidade com o patrimônio público.

A Câmara de Vereadores avança neste sentido quando coloca-se à prova na solução de questões que lhes eram indigestas e encontra caminhos positivos. Amadurece e sinaliza à sociedade que é possível, sim, aliar discurso e prática num exercício positivo da política. Pode, sim, a cidade se orgulhar desta trajetória recente e, quiçá, persistente.