Distrito Industrial Unileste acumula problemas

“Eles correm dos pernilongos. Tem que jogar futebol de calça jeans. Temos que passar óleo diesel nas pernas”. Foi desta forma bem humorada que o funcionário de um restaurante comentou sobre a proliferação desenfreada de pernilongos em uma lagoa coberta de mato e aguapés, na rua Capitão José Pinto Siqueira, no Distrito Industrial Unileste, em Piracicaba. Jogadores amadores que frequentam um campo de futebol e funcionários das empresas nas proximidades sofrem com as picadas. Se não bastasse a revoada de pernilongos, os trabalhadores da região reclamam das ruas esburacadas. 
 
A reportagem do Jornal de Piracicaba esteve no distrito na última segunda-feira (19), para ouvir os trabalhadores. O funcionário de um restaurante nas proximidades, que pediu anonimato, informou que o maior problema é a quantidade de pernilongos. Há 12 anos trabalhando no local, o funcionário disse que os insetos se procriam na lagoa tomada de aguapé. “São pernilongos enormes”, disse. Ele acredita que o restaurante perdeu 80% do movimento por causa dos pernilongos que incomodam os frequentadores. Além disso, informou que o asfalto do bairro é péssimo.
 
Enquanto pescava em outra lagoa próxima da lagoa cheia de mato e de aguapés, o caminhoneiro Domingos Jodal, 65, disse que pesca na lagoa assoreada era o lazer dele, mas não pode mais praticar esse esporte. É que o mato tomou conta do lago, capivaras frequentam o trecho, o que representa um risco, pois são hospedeiras do carrapato estrela, que causa febre maculosa. Essa lagoa fica na rua Capitão José Pinto Siqueira, que também tem um buraco sinalizado com galho de árvore para alertar os motoristas. O lago assoreado também fica às margens das ruas João Franco de Oliveira e Benedito de Andrade. 
 
Na rua Benedito de Andrade, o carros trepidam porque a capa asfáltica tem ondulações, os motoristas têm que desviar dos buracos e há um trecho sem asfalto. Na rua Phelipe Zaidan Maluf, o asfalto foi corroído pelas águas da chuva e as britas estão à mostra. O vigilante Nilson Vicente de Lima, 50, percorre o trecho diariamente. “Faz oito anos que está assim. Prometeram vir asfaltar. O asfalto sumiu na chuva. O receio é quebrar os vidros ou danificar os carros se ‘voar’ alguma pedra”, relatou o vigilante Nilson Vicente de Lima, 50. 
 
A Sedema (Secretaria de Defesa do Meio Ambiente) informou que a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) realiza fiscalizações para coibir o lançamento de efluentes líquidos na lagoa sem ser precedido de tratamento adequado. “O surgimento de algas, denominado eutrofização, pode estar relacionado ao lançamento de carga excessiva de matéria orgânica, que contém nutrientes como fósforo e nitrogênio”, traz a nota. A Semob (Secretaria Municipal de Obras) informou que enviará hoje técnicos ao local para verificar o problema e adotar as medidas necessárias.