Diversidade religiosa

A humanidade sempre manifestou, como parte de seu inato impulso de progresso, a necessidade de referências elevadas de comportamento, além de apoio, instrução e consolo de seres mais sábios, nobres e puros, os quais, pelo conteúdo do que falavam, pela conduta exemplar e força de caráter, despertaram interesse e atenção das pessoas receptivas. Em alguns casos, ao redor desses seres notáveis se formaram grupos de discípulos, os quais posteriormente estabeleceram instituições para o prosseguimento e ampliação das atividades até então realizadas.

Sob tal perspectiva, todas as manifestações espiritualistas podem ser válidas e úteis a seus seguidores, desde as religiões mais antigas e tradicionais até as mais recentes revelações, interpretações e doutrinas. Essa realidade leva à necessidade de que as crenças e religiões – parte indissociável da natureza humana e da sociedade – sejam respeitadas, desde que não promovam, incitem ou estimulem nenhuma forma de intolerância ou violência, mesmo que velada, a quem quer que seja – indivíduos, grupos, movimentos ou instituições. A imensa diversidade religiosa, cada vez mais acessível pelos modernos meios de comunicação, torna-se um implícito convite ao exercício de compreensão e respeito, cooperação e fraternidade, ou, no mínimo, de tolerância.

Apesar dos avanços científicos e tecnológicos dos últimos tempos, parece que ainda temos dificuldade de exercer os mais elementares princípios de convivência harmoniosa, pois nos sentimos incomodados, ameaçados ou ofendidos por quem tem valores e crenças diferentes dos nossos. Parece que nosso orgulho nos cega quanto à limitação das nossas concepções e à grandeza e riqueza da vida, a qual se manifesta também nas inúmeras expressões religiosas, filosóficas e espirituais.

Quando se é condicionado a julgar a própria crença como a melhor ou única expressão da verdade – como se fosse possível encarcerá-la nos estreitos limites da mente humana –, molda-se a conduta por preconceitos e intolerância, que invariavelmente distorcem e pervertem as relações pessoais, grupais e institucionais, gerando espetáculos de agressão, conflitos e guerras que têm manchado a história da humanidade.

Segundo uma visão evolucionista, os instrutores ou mestres espirituais são aqueles que, mais maduros, bondosos e sábios, esclarecem, orientam e advertem, apontando caminhos para evitar sofrimentos desnecessários e facilitar a jornada humana rumo à realização e à plenitude. Inúmeros instrutores, das mais diferentes escolas espirituais, afirmam que cada um deve percorrer esse caminho mediante o esforço pessoal, o desenvolvimento das potencialidades latentes e o aprimoramento do caráter. Enfatizam também a necessidade de se descobrir dentro de si mesmo a fonte de inspiração, fé e força para a realização dos mais elevados fins da existência, tornando a figura externa do mestre cada vez menos necessária e, ao mesmo tempo, expressando uma espiritualidade cada vez mais livre de proselitismo, fanatismo, idolatria ou dogmatismo. Quem alcança tal emancipação e harmonia interior naturalmente respeita os seguidores de todas as religiões e seus líderes, ao mesmo tempo que se permite a liberdade de buscar as referências que satisfazem seus verdadeiros anseios e necessidades, a fim de tornar-se um ser humano melhor – essência das verdadeiras instruções espirituais de todos os tempos.