Dmri pode surgir após os 55 anos

A Degeneração Macular Relacionada à Idade é uma doença que ataca diretamente uma parte central da retina chamada mácula. (Foto: Fotos: Divulgação)

Intimamente ligada ao processo natural de envelhecimento ocular e em pacientes acima dos 55 anos, a Dmri (Degeneração Macular Relacionada à Idade) é a causa mais comum de perda visual irreversível. É uma doença que afeta diretamente uma parte central da retina chamada mácula. É um problema grave, pois a visão central é necessária para realizar tarefas que exigem detalhes, como por exemplo, ler, dirigir e prestar atenção visual.

Existem duas formas de manifestação da doença: a degeneração atrófica (seca) e a degeneração exsudativa (úmida). De acordo com a oftalmologista e professora da Unicamp, Keila Monteiro de Carvalho a maioria dos casos é a Dmri seca.

“Nela, a perda da visão é lenta e progressiva. Os pontos escuros e vazios no campo de visão são relativos e depois se tornam absolutos. A visão é mais estável e com menos deformação das imagens. A acuidade visual para letras separadas é melhor, mas torna-se pobre para leitura que exige seguimento visual”, informa a especialista.

Os sintomas são bastante marcantes, segundo a oftalmologista, a pessoa começa a perceber um ponto escuro ou vazio no local de foco da visão. “Quando a pessoa ao invés de enxergar com clareza, vê espaços escuros e vazios que bloqueiam o campo de visão, ou então as linhas verticais se mostram distorcidas, como os lados dos edifícios ou postes, que parecem tortas ou ainda, a escrita parece borrada, oferecendo mais dificuldade no seguimento da leitura são indícios do problema”, informa a oftalmologista.

De acordo com Keila, os sintomas começam a se manifestar aos 55 anos e como qualquer doença degenerativa avança os estágios junto com a idade.

Para a Dmri não existe cura e o tratamento em alguns casos, quando trata-se da Dmri úmida, uma cirurgia a laser pode ser feita para amenizar o problema.

Além disso, o cuidado com essa doença faz com que os sintomas cheguem mais tardiamente, ou até nem se manifestem, uma boa alimentação rica em vitamina C, ômega 3, zinco e luteína (substância que pode ser encontrada em laranjas, tangerinas, couve, espinafre, brócolis e milho), e o uso de óculos escuros em ambientes muitos claro para não ocorrer danificação na retina ajudam a retardar o aparecimento da Dmri.

A forma seca é responsável por aproximadamente 90% casos. Benigna e pouco sintomática na grande maioria dos casos, tem progressão mais lenta e só causa grandes prejuízos à visão nas formas avançadas, geralmente depois de meses ou anos e em pacientes mais idosos. A forma úmida é caracterizada por aparecimento de neovasos defeituosos (membrana neovascular) na mácula, levando à diminuição e defeitos visuais muito rapidamente. Ambas são quase sempre bilaterais e assimétricas.

Apesar de afetar a visão central e diminuir a capacidade das atividades que necessitam a visão de detalhes, a Dmri não causa lesão periférica (lateral) e não causa cegueira total.

Larissa Anunciato
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