Dólar recua em linha com exterior e juros futuros

O dólar opera em baixa nesta terça-feira, 3, após uma alta pontual mais cedo. O ajuste negativo ante o real acompanha o dólar mais fraco no exterior paralelamente ao avanço do petróleo e do cobre e a recuperação dos futuros das bolsas de Nova York.

Os agentes de câmbio também olham a queda dos juros futuros, após o fraco avanço da produção industrial brasileira de 0,2% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, que ficou abaixo da mediana das estimativas dos analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, de +0,55%. O resultado, no entanto, ficou dentro do intervalo das previsões, que iam de uma queda de 0,40% a uma expansão de 1,00%.

Em relação a fevereiro de 2017, a produção aumentou 2,8% – também mais fraco que a mediana das projeções (+3,9%). Nessa comparação, sem ajuste, as estimativas variavam de um aumento de 2,50% a 6,00%. No ano até fevereiro, a indústria teve alta de 4,3%. No acumulado em 12 meses, a produção da indústria acumulou avanço de 3,0%.

O gerente de mesa de derivativos de uma gestora de recursos diz que o ajuste ante o real é limitado pelo compasso de espera cauteloso pelo julgamento do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva na quarta-feira. “Se Lula será preso ou não agora não interessa, o que interessa é o Superior Tribunal Eleitoral considerá-lo ficha suja, impedindo sua candidatura”, diz o mesmo gerente.

“O fluxo cambial está equilibrado, ninguém quer fazer grandes apostas, em função de uma semana pesada”, afirmou Jefferson Rugik, diretor da Correparti. Ele disse que, após a abertura em baixa, algumas tesourarias entraram comprando dólares na faixa dos R$ 3,30, recompondo posições, e limitando a queda.

Às 9h50, o dólar à vista caía 0,23%, aos R$ 3,3074. O dólar futuro para maio recuava 0,11%, aos R$ 3,3145. Na renda fixa, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) mais negociado, com vencimento em janeiro de 2021, caía a 7,99%, de 8,03% no ajuste de segunda-feira.