Dólar sobe com exterior e agenda semanal no radar

O dólar opera com viés de alta frente o real e algumas divisas ligadas a commodities no exterior nesta segunda-feira, 5. Os ajustes ocorrem em meio à persistente queda do petróleo nesta manhã, o aumento das apostas em quatro elevações de juros nos EUA neste ano após o forte relatório de empregos na sexta-feira e ainda uma agenda pesada nesta semana que antecede o feriado de carnaval no País.

Às 9h45, o dólar à vista subia 0,36%, aos R$ 3,2281, enquanto o dólar futuro de março avançava aos R$ 3,2375 (+0,31%).

Nesta segunda, o destaque é o fim do recesso no Congresso, onde as articulações sobre a reforma da Previdência devem concentrar as atenções. Nos próximos dias estão previstos a reunião do Copom (na terça e quarta-feira), o IPCA de janeiro (quinta-feira) e as vendas no varejo (sexta-feira).

Na Câmara dos Deputados, a apreciação em plenário da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) está prevista para começar no dia 19 de fevereiro, após o carnaval. Mas o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se irritou com declarações do presidente Michel Temer sobre já “ter feito sua parte” sobre a Previdência.

Por isso, Maia pretende engavetar o texto da reforma da Previdência e prepara um discurso para isentar os parlamentares da responsabilidade pela eventual derrota da proposta. No dia 20, Maia vai abrir a sessão da Câmara e, se não houver quórum suficiente para a votação, dará o tema como encerrado. A proposta precisa do apoio de 308 deputados, em dois turnos de votação.

O governo conta 237 votos pró-Previdência, 71 a menos do que precisa. Nesta segunda à noite, está agendado um jantar na residência oficial da Câmara. No domingo, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse que o governo definirá nesta semana qual versão da proposta de reforma da Previdência vai à votação na Câmara no dia 19 de fevereiro.

Como o Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado) já informou, entre os pontos que as mudanças que o governo negocia para conseguir os 308 votos necessários para aprovar a reforma na Câmara, em dois turnos, estão a ampliação do teto de acúmulo de benefícios e uma regra de transição para funcionários públicos que ingressaram antes de 2003.

A ideia é permitir que seja permitido o acúmulo de benefícios até o teto do INSS, hoje em R$ 5.645,81. No texto aprovado pela comissão especial, o limite era de dois salários mínimos (R$ 1.908). Já para os servidores que ingressaram antes de 2003, a ideia é criar uma regra de transição que deve durar 10 anos – para os trabalhadores da iniciativa privada, a transição vai durar 20 anos. Esses funcionários deverão cumprir a regra para ter direito à chamada integralidade (se aposentar com o último salário) e paridade (ter o mesmo reajuste da ativa).

Nos Estados Unidos, a posse de Jerome Powell como presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) acontece nesta segunda-feira em meio ao aumento das apostas de que a instituição poderá promover quatro elevações de juros neste ano, após o forte relatório de empregos divulgado na sexta-feira. Na semana, a agenda traz ainda o fim do prazo para elevação do teto da dívida americana (quinta-feira) e a decisão de política monetária do Banco da Inglaterra (BoE) (quinta-feira).