Dona de casa diz ter “previsto” queda do Comurba

“Tive uma sensação ruim quando estive no prédio”, relata. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Um dia antes do Comurba desmoronar, eu levei a minha mãe para conhecer uma exposição de boneco de cera que tinha na parte de baixo do prédio. Quando saímos do local, eu parei na praça e olhei para trás para olhar o Comurba e tive uma sensação muito estranha. Comentei com a minha mãe que o edifício era tão frágil e com uma construção torta”. Quem relata o caso é a dona de casa Maria Luíza Casarini, 76, que ficou desolada quando soube que prédio caiu um dia depois de sua visita. Neste mês, a tragédia do Comurba completou 55 anos.

Lembro como se fosse hoje. Eu tinha marcado de ir até lá com minha mãe no dia 5 de novembro, um dia antes da tragédia. Naquele dia, voltei tão triste para casa quando vi o Comurba com aquela construção mal feita, que cheguei até desmarcar o cinema a noite com os meus amigos”, explicou a dona de casa.

No dia da tragédia, Maria Luíza disse que estava na janela de sua casa, (ao lado do antigo hospital da Unimed), quando enxergou um poeirão que vinha em direção a sua casa. “Senti, na hora, uma energia negativa. Minha mãe e eu pensávamos que fosse um vendaval, mas logo que sai da janela comecei a lembrar do Comuba e minutos depois minha irmã ligou para contar sobre a queda do edifício e que seu namorado acabou morrendo no acidente”, disse.

Maria lembra que nunca viveu um dia triste igual ao 6 de novembro de 1964. “Até hoje, quando eu lembro do Comurba, não consigo segurar as lágrimas”.

Marcelo Uliana

[email protected]