Doria faz propaganda partidária em materiais didáticos das escolas estaduais

O Presidente Jair Bolsonaro e o Governador João Doria, que constituem duas faces da mesma moeda (Bolsodoria), insistem em afirmar que os professores doutrinam os estudantes das escolas públicas com ideias de esquerda, como apregoam os defensores do movimento “escola sem partido”.

Isso não passa de uma farsa e de uma mentira. Primeiro, porque os professores cumprem seu papel de formar crianças e jovens para a cidadania, para o mundo do trabalho e para a vida, com os princípios definidos pela Constituição e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: a liberdade de ensinar e aprender e a pluralidade de ideias e concepções pedagógicas. Segundo, porque nossos estudantes não são, de forma alguma, uma tabula rasa ou uma folha em branco na qual o professor possa inscrever o que bem entende.

Hoje nossos jovens têm acesso a múltiplas fontes de informação e, sim, contestam e se contrapõem a seus professores em tudo aquilo do que discordam. Ao tentar desqualificar os professores, desqualificam também os estudantes com os quais dizem se preocupar.

Na realidade, quem vem procurando doutrinar e impor um pensamento único, político-partidário nas escolas, utilizando o poder do Estado, são esses governantes. Ao sufocar o livre debate nas salas de aula e outros espaços escolares e massacrar a gestão democrática da educação, que é um princípio de grandeza constitucional, querem fazer prevalecer apenas sua visão de mundo, por meio dos materiais pedagógicos e outros instrumentos.

É o que fica demonstrado nesse momento com a distribuição aos estudantes das escolas da rede estadual de ensino de São Paulo das cartilhas da coleção “Aprender Sempre”. Numa delas, de Língua Portuguesa e Matemática, consta um texto que associa explicitamente o nome do Governador João Doria a determinado programa governamental. Na sequência, uma das perguntas formuladas obriga o estudante, necessariamente, a escrever o nome do governador.

Na cartilha de Ciências Humanas, é reproduzido um texto de um blog da internet, com claro posicionamento político conservador, datado de 2011, denominado “Transposição do São Francisco: um pecado petista…”. O texto critica a transposição do Rio São Francisco, qualificando o governo de então de “populista”, sem espaço para o contraditório. Por que reproduzir em 2019 um texto de 2011? A intenção política está explícita.

Onde fica, então, a pluralidade de ideias nas escolas, que o movimento escola sem partido, Bolsonaro e Doria dizem defender? Não passa de uma balela. É inaceitável que materiais pedagógicos, distribuídos pelo Governo, possuam esse tipo de conteúdo e direcionamento.

Estamos de olho e vamos estudar medidas cabíveis para defender que os preceitos constitucionais sejam de fato assegurados na educação pública do estado de São Paulo, sem doutrinação e sem abuso de poder.