Drik Barbosa faz estreia solo e retribui a inspiração para futuras rappers

Quando fala da rapper Stefanie, a também rimadora e cantora Drik Barbosa ouve sua própria voz embaralhada por sentimento de gratidão. Conta, com carinho, da primeira vez que ouviu a música Por Quê Eu Rimo?, do MC Kamau, lançada dez anos atrás. Tinha só quinze anos, ouvia o rap nos aparelhos de som dos tios. Queria ser uma MC, também, mas faltava algo.

Na faixa em questão, o já experiente Kamau pediu a nomes em crescimento dentro do rap (Rashid, Emicida e Stefanie) para que rimassem sobre suas inspirações. “Minha escolha de vida, meu prazer inexplicável / Rimar é crer pra mim que ainda existe esperança / É a arte marginalizada que quer ver mudança”, dizia Stefanie, na faixa. “Quando eu ouvi aquilo que ela dizia”, explica Drik, “percebi que era o que queria fazer também”.

É a tal representatividade, afinal, tão repetida e martelada, de forma fundamental. E não é que o rap nacional não tenha, na sua história, vozes femininas, nas rimas ou nos backing vocals. A questão está na quantidade e no espaço de destaque delas – olha a palavra aí outra vez. “O trabalho de Sharylaine (pioneira do rap nacional, que lançou um grupo de rap só de mulheres chamado Rap Girls, em 1986) era incrível, mas não chegava à rádio com a mesma frequência que Facção Central, Racionais MCs e o Realidade Cruel”, relembra Drik. “Conheci essas mulheres aos poucos. Quando eu ouvi a Stefani, me identifiquei com a forma dela se expressar. Pensei: ‘Se um dia eu for fazer rap, vai ser assim’.”

“E eu digo isso para ela todos os dias”, diz Drik, sobre a inspiração de Stefanie. As duas integram o coletivo Rimas & Melodias, uma reunião de rappers, cantoras e DJ, criada sob o tema cantado pelo grupo “juntas, somos mais fortes.” Agora, solo – embora nunca sozinha, como diz a música do Rimas -, Drik está pronta para assumir seu papel na representatividade.

Como Michele Obama, agora ex-primeira-dama dos Estados Unidos, escreveu no Twitter ao assistir Pantera Negra, o primeiro filme com um herói negro do gigantesco estúdio Marvel Studios. “Por causa de vocês, jovens finalmente poderão ver super-heróis que se parecem com eles numa tela grande (…). Sei que isso irá inspirar pessoas com as mais diferentes origens a ir a fundo para encontrar a coragem de serem heróis nas suas próprias histórias”.

A rapper de 25 anos, nascida em Santo Amaro e criada “numa quebrada da Vila Mariana”, agora quer retribuir. Coloca na rua Espelho, o EP de estreia solo dela, lançado pelo selo Lab Fantasma, com um punhado de versos sobre si, suas lutas, seus amores e saudades, na esperança de que, tal qual como ela, uma garotinha de 15 anos se perceba nela. Com Espelho, Drik quer o mesmo: “Não quero que seja um reflexo só meu. Quero que as pessoas se vejam nesse disco também”.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.