E agora? Qual profissão escolher?

Definir qual carreira seguir é um processo delicado e complexo; buscar orientação faz toda diferença. (Foto: Amanda Vieira)

A escolha da profissão nem sempre é uma decisão fácil de ser tomada. Ela é cercada de dúvidas, medos, reflexões e, por envolver sonhos, investimento e expectativa, faz muitas vezes com que o estudante se sinta pressionado. Para a psicoterapeuta comportamental e orientadora profissional, Luciana Vanini, a definição por uma carreira é um processo delicado e complexo.

“Quando pensamos na primeira escolha, a pressão exercida sobre o jovem se torna maior por conta do vestibular, da concorrência com demais estudantes e, em alguns casos, para atender às expectativas dos pais. Só aí já teríamos bons motivos para fazer desse um momento complicado”, afirma.

Além desses fatores, Luciana acredita existir um mito de que se escolhe a profissão apenas uma vez na vida, que a decisão que o estudante tomar governará sua trajetória profissional. “Essa realidade tem mudado com o tempo. Vejo dentista que se tornou um publicitário, o veterinário que vira administrador de empresas, dentre outras histórias de sucesso. Tirar esse peso de que a primeira escolha é para sempre, pode dar ao estudante a liberdade para escolher aquilo que tem maior identificação”, diz.

O estudante Victor Hermoso Brancalion, 17 anos, decidiu pela carreira de arquitetura, mas afirma não ter receio de mudar de profissão. “A escolha não foi fácil, é um processo mentalmente cansativo. Tem que pesquisar bastante. No meu caso, o que me ajudou a definir foram conversas com amigos, familiares e profissionais da área, além de uma autorreflexão. Mas não tenho medo de mudar no futuro”, afirma.

De acordo com a psicopedagoga Simone Djiovana Guidolin Leonardi, para escolher uma profissão é preciso primeiramente ter um bom conhecimento de si mesmo. A partir daí é preciso reconhecer o que gosta, estar antenado em tudo o que o mundo está solicitando e buscar qual plano de vida quer para si, para a família e para sociedade.

“O diálogo com pessoas experientes na profissão, com o conteúdo de conhecimento para aquela carreira, com outras áreas, com o mundo empreendedor, são bons aliados na tomada de decisão”, destaca Simone.

TESTE VOCACIONAL

Para aqueles que ainda têm dúvidas sobre a escolha da carreira, o teste vocacional pode ser uma saída. “[a ferramenta] possibilita ao jovem conhecer-se, refletir sobre si e o mundo, analisar possibilidades e planejamento de vida para poder decidir que caminho profissional seguir”, sugere a psicopedagoga.

Apesar de saber desde o ensino fundamental que gostaria de fazer faculdade de jornalismo, a estudante Amanda Pavilião Paulilo, 17 anos, recorreu a alguns testes vocacionais para ter certeza da escolha. “Desde pequena, gosto de escrever, sou ligada na área de comunicação. Mas também me identifico com outros cursos de humanas como filosofia, psicologia e letras. O jornalismo, no entanto, ainda fala mais alto. É uma escolha por aptidão”, conta.

Mesmo quase 100% certa de que pretende seguir carreira jornalística, Amanda vai prestar outros vestibulares além da Cásper Líbero, que é na área de comunicação. Ela vai fazer o exame para filosofia na USP (Universidade de São Paulo), psicologia na PUC-SP e na UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e letras na Unesp (Universidade Estadual Paulista).

REDAÇÃO É ESSENCIAL

E por falar em vestibular, as provas da primeira fase das principais universidades do país estão chegando. E na maioria delas, a redação chega a valer 50% da nota final do candidato, sem contar que, em todos os exames, o texto tem caráter eliminatório. Por isso, nesta reta final, é necessário produzir ao menos uma redação por semana para treinar, afirma a coordenadora pedagógica do Criar Redação, Luciana Rugoni.

“Além disso, é preciso ler, participar de palestras, debates e estar por dentro dos acontecimentos no Brasil e no mundo”, destaca. De acordo com a coordenadora, cada vestibular exige características específicas, mesmo aqueles que solicitam um mesmo tipo de texto. “Conhecer essas características e ter senso crítico sobre os diversos problemas na sociedade atual é o caminho para quem busca nota máxima na redação”, afirma.

A profissional alerta os estudantes para o que ela chama de fórmulas milagrosas. “Muitos candidatos têm a ideia de que se decorarem e apenas escreverem citações de filósofos, por exemplo, ou simplesmente colocarem na redação o máximo de informações sobre o tema proposto é suficiente. No entanto, além de não alcançar uma nota acima da média, o estudante corre o risco de ter seu desempenho prejudicado”.

Para se sair bem na prova, Luciana sugere aos candidatos que organizem o texto em parágrafos, por meio de introdução, desenvolvimento e conclusão; e utilizem argumentos de diferentes áreas do conhecimento – como dados estatísticos, textos literários ou um especialista no assunto. No Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), que terá a redação aplicada no dia 3 de novembro, além dessas características, é necessário desenvolver uma proposta de intervenção para solucionar os problemas apresentados no decorrer do texto, alerta Luciana.

Ana Carolina Leal

Especial para o Jornal de Piracicaba