É preciso falar sobre a hanseníase

Mariana Requena
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A hanseníase é um a doença que ainda enfrenta muito preconceito. Uma das enfermidades com registros mais antigos, citada até mesmo na Bíblia, era tratada antigamente sob o nome de lepra e considerada extremante contagiosa, levando os portadores a serem isolados em espécies de guetos para doentes.

Os anos se passaram, mas a falta de informações sobre o assunto perpetuam o medo e o preconceito a respeito da doença, da qual o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking mundial de novos casos, perdendo apenas para a Índia, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Sde).

Com o objetivo de informar a população sobre a hanseníase e transformar essa realidade, além de apresentar os sintomas para identificação e possibilidade de tratamento, foi criada campanha Janeiro Roxo, em combate à doença e os mitos que a cercam.

De acordo com a médica dermatologista Raquel Keller, a campanha é de extrema importância para a levar a população a diagnósticos mais rápidos. “A campanha serve para alertar a população que a doença, muito estigmatizada no passado, tem cura, mas ainda hoje representa um problema de saúde pública no Brasil”, esclarece. “Um dos objetivos da campanha é melhorar o controle da doença, através de ações de conscientização da população sobre a gravidade, esclarecendo que quando ela é descoberta e tratada tardiamente pode trazer grandes deformidades e incapacidades físicas e que a melhor forma de prevenção é o tratamento e o diagnóstico precoce”.

O QUE É A HANSENÍASE?

De acordo com Raquel, a hanseníase é uma doença crônica e infecciosa, causada pela bactéria bacilo de Hansen, que atinge principalmente a pele e nervos do portador. Se não tratada rapidamente, pode gerar séria incapacidade ao paciente por meio de lesões neurais.

A hanseníase é infecciosa, portanto se um dos familiares tiver sido infectado, toda a família deve realizar exames para possível detecção da bactéria. “A hanseníase é contagiosa, porém, cerca de 90% da população tem defesa natural contra a doença. A transmissão se dá por contato com gotículas de saliva ou secreções do nariz da pessoa infectada”, explica a médica. “Entretanto, se observa, que esse contágio ocorre por meio de uma convivência muito próxima e prolongada com o doente, e por isso, quando diagnosticamos um caso de hanseníase, é obrigatório que todos as pessoas do seu convívio familiar sejam examinadas.

SINTOMAS E TRATAMENTO

A hanseníase pode ser identificada a partir da observação da pele. Manchas claras, rosadas ou avermelhadas podem ser sintomas da doença, assim como diminuição da sensibilidade em relação ao calor, frio ou tato.

A doença também pode causar perda de pelos e ausência de suor e, por ser ligada aos nervos, a bactéria pode causar dores, sensação de choques e formigamento pelos braços e pernas. Quando a doença chega a estágios mais avançados, pode criar caroços muito dolorosos nas orelhas, mãos e cotovelos.

Caso esses sintomas sejam detectados, é importante se dirigir brevemente a um posto de saúde para a realização de testes para hanseníase, que tem tratamento e este pode ser gratuito.

O tempo de tratamento é feito por meio de medicação e varia de seis meses a um ano, dependendo da quantidade de bactérias no organismo. Após tratado, o paciente estará curado definitivamente e poderá voltar ao convívio social normal.

“A melhor forma de prevenção é o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, assim como o exame clínico de todos os contatos do paciente”, ressalta Raquel.