Economia da zona do euro cresce mais forte que o previsto, diz Draghi

Presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi afirmou, em discurso nesta segunda-feira, que a economia da zona do euro tem crescido de modo “mais robusto” e mais forte do que o projetado. Ao mesmo tempo, a autoridade reiterou a necessidade de manutenção dos estímulos à economia, para apoiá-la e garantir que a inflação caminhe mais adiante para a meta de quase 2%.

Em discurso no Parlamento Europeu, Draghi afirmou que o crescimento econômico tem se mostrado mais igualmente distribuído entre setores e geografias que em qualquer momento desde a última crise financeira. A zona do euro cresceu 2,5% no ano passado, “o que reflete o impulso doméstico forte no consumo privado e no investimento”, disse. As medidas do BCE levaram a economia da zona do euro a “uma trajetória de crescimento sólido”, impulsionado pela dinâmica interna e por isso mais resistente a uma eventual desaceleração na demanda global, notou ele.

A inflação, porém, ainda precisa dar sinais mais convincentes de um ajuste sustentável para cima, apontou Draghi. Como motivos, ele citou a atividade econômica contida e o alto desemprego após a crise da dívida soberana, a demanda contida e os baixos preços do petróleo no período. Segundo ele, esses fatores devem perder força, conforme a zona do euro cresce mais e o desemprego recua. “Na verdade, o crescimento dos salários na zona do euro já ganhou impulso recentemente e o mercado de trabalho deve melhorar mais”, sustentou. Os dirigentes do BCE preveem que a inflação retomará trajetória gradual de alta, mas que isso ainda exige um grau amplo de estímulo monetário. Segundo Draghi, necessário haver “paciência e persistência” na política monetária.

Em sua fala aos parlamentares em Bruxelas, Draghi também comentou que há incertezas no cenário. “Em particular, a recente volatilidade nos mercados financeiros, notadamente também no câmbio, merece monitoramento de perto com relação a possíveis implicações para a perspectiva para a estabilidade de preços no médio prazo”, afirmou ele.

O panorama requer, portanto, a manutenção do amplo grau de estímulo monetário, argumentou o presidente do BCE, citando medidas do banco central como as compras líquidas de ativos, o montante “considerável” de ativos adquiridos e reinvestimentos futuros, além das diretrizes para as taxas de juros.