Edificações conservadas ajudam a preservar a história da cidade

Depois

O registro histórico de um povo se faz por diversas vias, e entre elas a arquitetura. As construções de um lugar dizem muito sobre o modo de vida e processos das gerações anteriores que contribuíram para o desenvolvimento do lugar.

Alguns edifícios são tão importantes para uma cidade que, mesmo não sendo tombados, merecem atenção especial para a sua conservação, já que guardam extrema importância histórica e devem ser preservados para as próximas gerações. Esse é o caso do prédio do Instituto Baroneza de Rezende.

Arquiteta Sofia Rontani foi a responsável pela restauração do Baroneza de Rezende (Foto: Arquivo pessoal)

De acordo com a arquiteta responsável pelo processo de conservação do patrimônio, Sofia Rontani, foi necessário um intenso trabalho de pesquisa e levantamento histórico, que durou cerca de 20 dias, para que existisse contextualização sobre a importância e aparência original do prédio.

“O conhecimento da história do local é de suma importância para iniciar qualquer projeto”, afirma a especialista. “Antes de iniciar os projetos, é preciso entender as necessidades do proprietário quanto ao uso do imóvel, assim como a relação entre a infraestrutura existente e a demanda solicitada”.

O prédio do instituto foi construído em 1910 para ser residência dos barões de Rezende, mas, a pedido da filha deles, Lídia de Souza Rezende, uma escola doméstica foi fundada no local, a primeira da região para as jovens da época.

Antes
Depois

Em março de 1922, cinco freiras da Congregação das Irmãs Franciscanas da Imaculada Conceição, na Áustria, partiram para o Brasil com o intuito de fundar a escola. Ali se dava início ao Instituto Baroneza de Rezende.

De acordo com Sofia, o processo conservacional, iniciado no ano passado, teve o objetivo de aumentar o tempo de vida do prédio histórico, que foi ampliado e alterado ao longo dos anos para atender às necessidades do instituto. “Buscamos entender como a casa da baronesa era antes de ser alterada, e por meio de um levantamento iconográfico, verificamos o que havia sido mudado”, conta ela sobre o processo. “Não conseguimos retomar a fachada como era original por conta da ocupação e uso atuais, entretanto, definimos uma outra fase do edifício para recompormos a fachada, trazendo de volta alguns aspectos arquitetônicos importantes tais como janelas e elementos decorativos da fachada”.

Antes
Depois

Entre toda a execução do projeto, no qual aconteceu a remoção da textura antiga das paredes, a correção de argamassas, a abertura do espaço para janelas, e os detalhes decorativos finais, os trabalhos duraram seis meses. A arquiteta justifica todo o trabalho por meio da importância do prédio para a memória piracicabana. “O edifício não é tombado, entretanto tem grande valor na história do município e para os moradores da Vila Rezende”, ressalta.

Mariana Requena

(Fotos: Amanda Vieira/JP)