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Árvore, para que te quero?
Rodrigo Alves
22/01/2018 13h57
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Um dos poucos exemplares remanescentes no Estado e o único catalogado na cidade, a árvore da espécie Sterculia — conhecida como Xixá — já não faz mais parte da paisagem do bairro São Dimas, onde reside a família do publicitário Stwenson João Sperandio. 
 
A luta foi árdua, começou em 2011. O problema surgiu porque as folhas começaram a incomodar o proprietário do imóvel ao lado. Sensibilizadas, as pessoas se mobilizaram com petições on-line. Os proprietários da residência procuraram entidades gabaritadas na cidade — a Esalq, a Sedema e a Florespi. Uma faixa foi colocada no tronco da árvore com a frase “querem me matar”. Quase 2.500 assinaturas foram colhidas, pedindo a sua permanência.
 
Não teve jeito. A sentença foi pela sua derrubada. A argumentação? Está localizada próximo a divisa das duas casas e há pouco espaço no jardim da família para o crescimento adequado da espécie.
 
Esta semana, a redação recebeu a ligação da esposa de Sperandio. Enquanto a conversa ocorria, sua voz agonizante ecoava do outro lado da linha, ao relembrar a este editor toda a história de lutas do casal. Era como se lhes tirassem alguém da família, do dia para a noite.
 
Como a Justiça precisa ser cumprida, a família contratou uma empresa particular, desembolsou R$ 3.000 para seguir o que foi determinado.
 
O JP foi até o local na quinta-feira (18) para acompanhar a retirada, não viabilizada por causa de problemas estruturais da empresa contratada. Seria um sinal dos céus? Um grito de socorro da mãe natureza? A árvore ficaria, linda e formosa? Que nada! Seu corte ocorreu ontem, de manhã. O vídeo está na página do Facebook do Jornal de Piracicaba. É de cortar o coração.
 
Árvore, para que te quero? Índios, para que servem? De que adiantam os homens, se os robôs podem ser muito mais úteis? O encontro em um parque, deixe para depois, as telas de cristal líquido nos esperam, atrativas.
Piracicaba não tem mais a sua Xixá. Mal sabia ela, a Xixá, que o seu significado em tupi representaria o próprio destino: “fruto semelhante ao punho fechado.”
 
Sim, ela levou uma punhalada brutal, de punho fechado. Ainda que alguém tenha fechado o seu punho para a nossa Xixá, que toda a sua beleza e importância não tenham sensibilizado o vizinho, fica a mensagem de Stwenson: “a gente ainda espera a Justiça divina”.
 
 
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