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Borrachudos
Rodrigo Alves
18/01/2018 17h41
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Por fora bela viola, por dentro pão bolorento. Um velho ditado, às vezes esquecido, que vale para muitas coisas. Em Piracicaba, por exemplo: a entrega das chaves dos residenciais Ipês Branco, Amarelo e Roxo, em julho de 2017, representou a conquista da casa própria para muitas famílias de baixa renda. Essa era a bela viola. Dois meses depois de ocupação dos apartamentos, veio o cheiro do pão bolorento.
 
Fruto de parceria entre a Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional de Piracicaba) e o Governo Federal, por meio do programa Minha Casa, Minha Vida, o residencial na região de Santa Teresinha consumiu R$ 72,5 milhões. Foram recursos públicos aplicados em prol dos que mais precisam. Pelo menos esse era o discurso, na época.
 
A realidade do local onde vivem 720 famílias demonstrou que o bom investimento do dinheiro público, no Brasil, é algo cada vez mais raro. Algo exposto na manhã de ontem pelos moradores, em uma visita do vereador Dirceu Alves da Silva (SD). 
 
O principal impacto está na extensão da avenida Corcovado, que dá acesso às unidades residenciais. Ali, os ‘borrachudos’ tomaram conta dos dois sentidos da via pública, o que impossibilita até mesmo que o motorista faça desvios. Borrachudo é o nome popular para o deslizamento da camada de asfalto na direção da guia, para as várias ondulações formadas às margens da avenida.
 
Segundo os moradores, os problemas nos Ipês apareceram depois de dois meses de ocupação dos residenciais.
Consultada, a prefeitura informou que a responsabilidade pelo asfalto é da empreiteira responsável pela construção dos apartamentos. Segundo a Secretaria de Obras, uma notificação será emitida e haverá obrigação de reparação do espaço, pois a obra ainda está na “garantia”.
 
 
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