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Quem são os esquecidos?
Rodrigo Alves
01/02/2018 16h26
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Ainda este ano, Piracicaba receberá nestas páginas a notícia que quantifica os moradores em situação de rua. Numericamente, claro, e se a este Jornal for dado o acesso ao resultado. Morador de rua — ainda no termo antigo ou na classificação politicamente incorreta — não tem nome, não tem RG, não tem família, não tem história de vida. Pelo menos aos olhos de quem caminha apressado para o trabalho em qualquer dia da semana, de quem aperta o passo diante da abordagem por dinheiro ou atravessa a rua logo que alguém maltrapilho se aproxima.
 
Em reportagem de Claudete Campos, o <BF>Jornal de Piracicaba<XB> traz na edição de hoje a intenção da Semdes (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social) em promover um novo censo — uma espécie de contagem ou mapeamento — do tamanho da população em situação de rua na cidade. Conforme o último levantamento — realizado pela prefeitura em 2016 — eram 71 nesta situação.
 
Não é preciso bola de cristal para perceber que esse público tem crescido, e muito, na cidade. Seja no ponto de ônibus entre as ruas XV de Novembro e Boa Morte, nas costas da Catedral de Santo Antônio, nas marquises dos bancos e lojas da área central ou por toda a praça José Bonifácio, incluindo o coreto. Eles são encontrados ainda na praça da Igreja Imaculada Conceição, na Vila Rezende, e em regiões mais populosas, como Santa Teresinha.
 
E qual é a importância de saber se são 15, 50 ou 120? Se nasceram em Piracicaba ou em Florianópolis? Para que servem os números, neste caso?
 
Em um primeiro momento, os números podem não significar nada. Informação de gaveta ou servir apenas para sair como notícia de Jornal. 
 
De posse dos dados, é preciso que os profissionais da Semdes tracem soluções viáveis para esse que é um problema social que aflige várias cidades brasileiras. O crescimento da população em situação de vulnerabilidade por falta de um lar permanente é incontestável. Mas sem políticas públicas para entender as necessidades, o problema só irá se agravar.
Como sinaliza o presidente da CAPHIV, Paulo Soares, é necessário que os órgãos públicos conheçam as realidades e necessidades específicas de quem são os esquecidos pela sociedade. Essa população não é apenas número e não deve ser tratada como tal.
 
 
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