Edson Diehl Ripoli: “Amor pelo Exército e por Piracicaba”

Desde cedo o piracicabano Edson Diehl Ripoli, 54 anos, se propôs desempenhar missões. Aos 14 anos de idade, ele ingressou em uma escola militar e nunca mais deixou a vida na caserna. O filho do casal Maria Apparecida Diehl e Romeu Italo Ripoli (já falecido) descobriu ainda muito novo o que queria ser e qual sentido daria a sua vida.

Desde essa época, o então garoto tinha a casa dos pais em Piracicaba, como referência, enquanto estudava e se preparava para assumir grandes missões que a carreira militar exigia. Recentemente, o general aceitou o convite de um militar da mesma patente para assumir o ministério da Defesa no recém-iniciado governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Ripoli é chefe de gabinete do Ministério da Defesa, liderado pelo general Fernando Azevedo e Silva. Esta vem sendo a mais recente missão do piracicabano, que já atuou no Rio de Janeiro, Paraná, Distrito Federal e São Paulo. Em seu currículo constam ainda missões na Angola, Colônia, Hamburgo, Dakar e Madri.

Casado com a cirurgiã dentista Renata Angélica de Oliveira Diehl Ripoli, ele é pai da jovem Karina Diehl Ripoli. Nas horas vagas, o militar é adepto da leitura e de navegar pela internet.

No início do ano, o vereador Carlos Gomes da Silva, o Capitão Gomes (PP), disse que recebeu com “muita felicidade” a nomeação do piracicabano e enalteceu a figura da pessoa e do militar Ripoli.

Capitão Gomes, que carinhosamente continua se referindo a Ripoli como garoto, contou que foi ele quem redigiu a carta de apresentação para o então aspirante dar início à carreira no Exército Brasileiro.

Segundo o vereador, ele era um garoto muito inteligente, alcançava o primeiro lugar em tudo, em todos os cursos. “É uma honra para Piracicaba ter um filho desse naipe”, disse na época. Em outubro de 2015 Capitão Gomes homenageou o militar com o título de “Piracicabanus Preaclarus”, a mais alta honraria concedida pela Câmara a cidadãos nascidos no município.

Ripoli possui um currículo tão extenso quanto a sua carreira no Exército Brasileiro. Ele é bacharel em Ciências Militares pela Academia Militar das Agulhas Negras, mestre em Ciências Militares pela Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais, doutor em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, e fez cursos de Comando e Estado-Maior das Forças Armadas da Alemanha e de Altos Estudos Estratégicos na Espanha.

Nesta semana, ele aceitou participar de uma entrevista ao Jornal de Piracicaba e respondeu – por e-mail – as perguntas para a seção Persona.

O senhor é piracicabano, quanto tempo morou na cidade, quais lembranças senhor tem daqui?

Sou piracicabano da gema, quinzista de coração. Embora tenha ido para o Exército com 14 anos, sempre tive a casa de minha mãe na cidade e estou em Piracicaba no mínimo uma vez por mês.

Por que o senhor escolheu a carreira militar? Há militares em sua família?

Não tenho militares na família. Meu pai era agrônomo, político e presidente do XV de Piracicaba. Escolhi ser militar porque a carreira me atraiu pelas inúmeras oportunidades de vida que oferece.

Quais as funções e locais onde o senhor atuou no exército Brasileiro?

Eu comandei a Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, exerci o cargo de 1º subchefe do Estado-Maior do Exército e, em 31 de julho de 2018, fui promovido a general de divisão. Desde 16 de março de 2018, fui o comandante da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército – Escola Marechal Castelo Branco, no Rio de Janeiro, cargo que deixei no dia 12 de fevereiro, quando assumi a função política no Governo Federal.

Como o senhor recebeu o convite para o Gabinete do Ministro da Defesa?

O General Fernando Azevedo e Silva, ministro da Defesa, já havia trabalhado comigo entre 2015 e 2018. Eu comandava a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro, quando ele me ligou e convidou para a atual função.

Qual a sua função no Ministério da Defesa?

Sou responsável pela assessoria direta ao Ministro, sua agenda e todos os assuntos referentes à Pasta e às Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica).

O senhor sentiu diferença na nova função, foi fácil se adaptar a ela?

Foi fácil a adaptação, embora a rotina seja intensa e os assuntos diversificados.

Qual sua rotina de trabalho?

Não ter rotina. Na realidade, estou conectado 24 horas por dia e me adapto às demandas do Ministro de Estado.

Houve uma onda de críticas ao presidente Jair Bolsonaro, devido à quantidade de militares nomeados para cargos no governo. Sendo um militar, como o senhor avalia essas queixas?

Não concordo com as críticas. Como você pode avaliar pela minha formação acadêmica, os militares brasileiros são extremamente preparados. Possuem condições de contribuir com o país em diversas áreas. Seria um desperdício não empregar esses talentos por preconceito ideológico.

Parte dessas críticas se deve à experiência brasileira com o governo militar, quando ocorreu o regime militar. O senhor acredita que há fundamentos para essa preocupação por parte da população?

O atual presidente foi eleito democraticamente. Essa preocupação não tem qualquer fundamento, pois nossa democracia está plenamente consolidada. Em 2022, teremos novas eleições e o povo voltará a escolher seus dirigentes.

Como militar, o senhor concorda com a utilização do efetivo do Exército para atuar na segurança de civis?

Não é o ideal. Nosso preparo é para a defesa externa do país. No entanto, o artigo 142 da Constituição prevê nosso emprego em Garantia da Lei e da Ordem, por iniciativa dos poderes constitucionais (Executivo, Legislativo e Judiciário).

Em sua avaliação, e tomando o exemplo do fato ocorrido recentemente no Rio de Janeiro, quando duas pessoas morreram baleadas por um soldado, o senhor acredita que o Exército esteja preparado para essa atividade?

Nós cumprimos a missão que nos é atribuída e estamos sempre preparados. O emprego das Forças Armadas na segurança pública do Rio de Janeiro em 2018 foi exitoso, dentro do escasso período de tempo em que durou a intervenção.

Qual sua opinião sobre militares ocupando cargos políticos?

Um militar da reserva pode concorrer a eleições como qualquer outro cidadão. Não vejo nenhum problema, desde que sejam eleitos democraticamente.

O senhor tem pretensão de, no futuro, ocupar um cargo político no Legislativo?

Quando eu terminar meu tempo no Exército, serei candidato à presidência do E. C. XV de Novembro de Piracicaba (risos).

Como o senhor avalia atualmente o interesse dos jovens ela carreira militar?

As Forças Armadas estão sendo procuradas por um número expressivo de jovens. A cada ano, aumenta o volume de inscrições para nossas escolas. Como exemplo, cito a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, sediada em Campinas. Temos em média, cerca de 80 candidatos por vaga.

Qual o perfil que esse jovem deve ter para uma carreira militar de ascensão?

Um jovem que aspire entrar para as Forças Armadas, precisa basicamente gostar de estudar, ter espírito aventureiro, estar disponível para servir em todas as regiões do país ou em qualquer país para onde seja designado.

O senhor estudou em escolas militares. Qual sua avaliação sobre essas instituições?

Desde os 14 anos de idade, estudei em escolas militares, no Brasil e no exterior. Ao todo, passei 12 anos fazendo cursos militares. Todas essas instituições possuem um excelente padrão de ensino, com foco no desempenho do aluno e na sua preparação para desempenhar futuras missões.

Uma das características das Forças Armadas é disciplina. O senhor acredita que os jovens precisam de uma experiência dessas para a vida?

A disciplina é fundamental não apenas para as Forças Armadas, mas para todas as atividades de nosso cotidiano. Imagine uma empresa na qual os funcionários não tenham disciplina. Os jovens que passam pelo Serviço Militar, saem muito mais preparados para a vida adulta do que antes de virem para o quartel.

Qual a sua opinião sobre a presença das mulheres nas Forças Armadas?

A presença das mulheres entre nós é sensacional. Elas são extremamente dedicadas, profissionais e competentes. Desde o ano de 2017, o Exército as admite na Linha do Ensino Militar Bélico. Ou seja, as meninas podem fazer concurso para a Escola Preparatória de Cadetes do Exército, indo depois para a Academia Militar e também para nossas escolas de sargentos.

Em 2015 o senhor recebeu da Câmara de Vereadores de Piracicaba o título “Piracicabanus Preaclarus”, a mais alta honraria concedida pela Câmara a cidadãos nascidos no município. O que o senhor sentiu com essa homenagem?

É motivo de honra e satisfação levar o nome de Piracicaba por onde passo. Falei da importância do Exército Brasileiro em minha vida e agradeci à minha mãe e a minha esposa, Renata. Relembrei do meu pai, a convivência com ele, que me marcou muito. Também fez que me apaixonasse pelo XV de Piracicaba.

Beto Silva