Educação e Informação

André de Paiva Salum

Certamente vivemos numa época de imensas conquistas científicas e tecnológicas, com a disponibilidade de inimaginável quantidade de informações. Mas, com respeito à qualidade do que se veicula, quais critérios são usados (quando existe algum) para se evitar ideias inadequadas principalmente aos mais jovens e vulneráveis a conteúdos violentos, abusivos, degradantes?

As pessoas em geral, mas especialmente as crianças e os jovens, têm sido incessantemente bombardeados por informações, muitas das quais de qualidade duvidosa, quando não prejudicial, frequentemente carregadas de estímulos à agressividade, à intolerância, aos vícios nas suas diversas faces e máscaras, ao materialismo e consumismo, tudo obviamente a serviço de interesses escusos. Assuntos e temas como corrupção, violência, promiscuidade, desrespeito à lei e à ordem parecem ter se infiltrado de tal modo na mentalidade comum que não mais provocam estranhamento, tornaram-se banais, corriqueiros, assimilados com naturalidade, indiferença ou até mesmo propagados de modo inconsequente.

Acreditamos que nunca é demais apelar a pais, professores, instrutores e responsáveis, direta ou indiretamente, pela educação infantil, para que prestem especial atenção ao conteúdo informativo que chega aos jovens e crianças, e para que dialoguem com eles e os orientem, tanto quanto possível, despertando-lhes o senso de responsabilidade que deve caminhar lado a lado com a liberdade, especialmente nesta época de acesso quase irrestrito a todo tipo de informação. Esclarecer e conscientizar todos os que de alguma forma influenciam diretamente os jovens parece de fundamental importância na capacitação de todas as pessoas dispostas a colaborar na semeadura de novos padrões de conduta mais harmoniosos e saudáveis para os futuros adultos.

A fim de que o imenso acervo de informações atualmente disponível seja adequadamente utilizado e compartilhado, parece-nos evidente a utilidade de se oferecer aos jovens e crianças uma correta formação, conscientizando-os da necessidade de desenvolverem a capacidade de selecionar conteúdos, baseada em valores e princípios elevados, a fim de se protegerem, tanto quanto possível, dos persistentes e ardilosos convites à degradação e a condutas irresponsáveis. Que sejam estimulados a refletir quanto ao tempo gasto em redes sociais ou em jogos viciantes e alienantes, com prejuízo à convivência, ao desenvolvimento mental, emocional e espiritual, indispensáveis a uma existência significativa, saudável e plena.

Como ocorre em outros aspectos da vida, parece-nos imprescindível e urgente um processo (re)educativo que tenha participação efetiva dos pais e responsáveis, os quais, a começar pelo próprio exemplo, estimulem os mais jovens a ter uma relação saudável e equilibrada com os meios de comunicação e as tecnologias disponíveis, selecionando conteúdos que favoreçam o seu pleno desenvolvimento e a sua jornada existencial com liberdade, responsabilidade e consciência.