Eleições

José Faganello

 

“(Na república velha) as eleições eram falsas, mas a representação era verdadeira…. As eleições não prestavam, mas os deputados e senadores eram os melhores que podíamos ter”
(Gilberto Amado 1887 1969, Presença na política, II, 7)

República Velha, também conhecida como República Café com leite, ou República dos coronéis ou ainda República Oligárquica, foi o período de 1894 (governo de Prudente de Morais) até 1930 (Revolução de 1930, chefiada por Getulio Vargas)

O golpe militar de 15 de novembro de 1898 pôs fim à monarquia, inaugurando uma nova ordem política no país, que fortalecia as oligarquias estaduais. O país permaneceu essencialmente rural. A força econômica estava no campo, e o café era a principal fonte de renda nacional. Neste período, ocorreram várias revoltas populares contestando a ordem social e política. Na zona rural, as duas mais importantes foram a Revolta de Canudos, no Sertão Nordestino, e a Revolta do Constetado, no sul do país. Foram revoltas contra a política Oligárquica, com sua concentração de terras e o domínio do capital estrangeiro no país. Com Prudente de Morais, os paulistas assumiram a direção da política brasileira. Ela foi pautada em garantir a unidade nacional, mão de obra barata para produção de manufaturas, controle da política cambial e dos empréstimos externos para fortalecer o setor cafeeiro. Promovia a valorização do café no mercado internacional e garantia, por todos os meios, a maioria no Congresso Nacional, elegendo deputados e senadores ligados aos seus interesses. Como o voto não era obrigatório, o pequeno número de eleitores era facilmente manobrado pelos grandes senhores rurais, chamados, na época, de coronéis.

O poder deles estava presente em todos os níveis. Os ocupantes dos cargos públicos eram indicados ou eleitos por eles: prefeitos, vereadores, soldados, escriturários, etc. A oposição não conseguia ameaçar esta estrutura de poder, pois, como não havia uma Justiça Eleitoral, as eleições eram fraudadas.

Dependente do capital estrangeiro, os banqueiros internacionais utilizavam seus parceiros nacionais para exercer rigoroso controle da política brasileira. O grupo alemão Diederichsen, e banqueiros como Rotschild, chegavam a dar conselhos ao próprio presidente da República.

Até 1930 o Brasil foi um país essencialmente rural. A população estava direta ou indiretamente subordinada aos grandes proprietários rurais e abandonada pelo poder público. A insegurança e a miséria acompanhavam o trabalhador rural durante sua curta vida. Lentamente, com o êxodo rural, provocado pelas secas, pela crise do café e pela industrialização, esta população ao mudar-se para as cidades, irá, aos poucos, dar origem à uma nova cultura, mais dinâmica e conseguir melhores condições de vida.

Getúlio Vargas implantou uma política trabalhista que visava desmobilizar e controlar a classe operária. Deu-lhe, no entanto, pela CLT, regalias. Ampliava sua popularidade e fortalecia os líderes sindicais afinados com a ideologia da ditadura. Suas leis trabalhistas não foram estendidas ao campo, porque as oligarquias aliadas de seu governo, não admitiam mudanças.

O modelo econômico da ditadura militar foi a de um crescimento acelerado e dependente de economia. Promovia a acumulação de capitais e o controle dos trabalhadores com o arrocho salarial. Houve grande concentração de rendas enquanto os trabalhadores eram sacrificados pela política recessiva, baixos salários e demissões sem justa causa.

De lá para cá houve alternâncias, mas sem fortalecer o Estado, pelo contrário, os eleitos, em sua maioria, foram minando, cada vez mais a cada eleição, a ponto de desviarem bilhões do erário e endividarem até nossa maior empresa, a Petrobrás.

O gesto tão simples de votar poderá promover consequências desastrosas, como na Venezuela e Argentina.

Oxalá seja eleita uma maioria de candidatos capazes de mudar o atual vergonhoso panorama.