Em 2 meses, piracicabanos pagaram R$ 80 mi em impostos

Em apenas dois meses, os moradores de Piracicaba já pagaram R$ 79,9 milhões de impostos, segundo o Impostômetro, da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo) e da ACSP (Associação Comercial e Industrial de São Paulo). De primeiro de janeiro até anteontem, os paulistas já haviam pago R$ 157 bilhões de impostos, no mesmo período, o que representa 37,39% do total da arrecadação no Brasil. No mesmo período, os brasileiros pagaram R$ 427,5 bilhões de tributos. O placar gigante fica no prédio da federação na capital paulista e é um alerta para a alta carga tributária do Brasil. O trabalhador brasileiro teve de trabalhar 153 dias em 2017 para pagar os impostos, cinco dias a mais do que em 2010 (148 dias).
 
Segundo o presidente da Acipi (Associação Comercial e Industrial), Paulo Roberto Checoli, os piracicabanos pagaram cerca de 6,7% a mais em tributos de primeiro de janeiro a primeiro de março deste ano, ante o mesmo período de 2017. “Isso caracteriza dois cenários: o aumento gradativo da carga tributária, que impacta negativamente na rotina da classe empresarial e, por outro lado, uma cidade empreendedora e produtiva”, afirmou.
 
“O município conta com quatro distritos industriais, que dinamizam a produção local. A nossa indústria procurou diversificar e se adaptar para atender as exigências de um mercado tão competitivo nacional e internacionalmente; um comércio diversificado, forte, organizado e preparado para as demandas regionais; além da área de serviços, que contribui e muito para a economia. Esses setores são responsáveis diretos pela geração de renda e emprego, que, quando estão positivos, alimentam e movimentam a economia”, destacou Checoli.
 
O economista Valdemir Pires pondera que é necessário verificar quanto a arrecadação de tributos representa sobre o PIB (Produto Interno Bruto) ou produção anual de bens e serviços do país para avaliar se a carga tributária é alta. “Dizem, por esse critério, que o Brasil tem uma elevada carga tributária. Entretanto, esse critério apresenta alguns problemas, o maior deles sendo o de comparar realidades incomparáveis. Por exemplo, um país pode ter uma carga tributária de 50% do PIB e essa vir de impostos diretos (de renda, por exemplo) cobrados, progressivamente, de pessoas que ganham bem, em média — algo próximo dos países nórdicos. Esta carga parecerá aos contribuintes mais leve do que uma de 35% do PIB, cobrada basicamente dos pobres, por meio de tributos indiretos (sobre o consumo, por exemplo) — situação parecida com a do Brasil. O peso depende da força de quem carrega. A injustiça tributária pesa mais do que o tributo, propriamente”, avaliou o economista.