Em audiência, prefeito admite falta vagas em creches

“Ainda há crianças fora da creche, eu reconheço”, disse o prefeito em audiência.(foto: Fabrice Desmonts/ Câmara de Vereadores)

O prefeito de Piracicaba, Barjas Negri (PSDB), admitiu que existe um déficit de 246 vagas de creches em tempo integral para crianças de zero a 3 anos na rede municipal de ensino infantil. A declaração do chefe do Executivo aconteceu na noite da última sexta-feira (19), durante audiência pública convocada pelo vereador Paulo Campos (PSD), autor do requerimento 533/2019.

O número de vagas em tempo integral aumentou assim como as de tempo parcial, mas ainda há crianças fora das creches, eu reconheço”, disse Barjas, ao contestar a informação de que a Prefeitura eliminaria as vagas em tempo integral para inflar os números das vagas parciais. “Isso é falso”, disse.

Durante o evento, a secretária municipal de Educação, Angela Correa, detalhou os números oficiais a respeito do ensino infantil e explanou acerca do modelo de gestão da pasta, que, desde 2007, definiu o mês de outubro como período para matrículas, com o objetivo de planejar a estrutura de atendimento para o ano seguinte, já que as vagas são definidas a partir dos conselhos das escolas.

A principal reclamação é em torno das vagas em tempo integral, divididas de acordo com quesitos socioeconômicos das famílias. “Disponibilizamos 1619 vagas integrais (para crianças de 0 a 3 anos), das quais 1034 são da demanda oficial e 585 eram alunos que estavam em tempo parcial e que, pela análise socioeconômica passaram para tempo integral”, explicou Angela.

É importante dizer que, entre 2004 a 2019, o total de matriculados tem aumentado continuamente e a demanda não atendida tem caído violentamente”, defendeu a titular da Pasta.

Foram apresentados diversos questionamentos aos representantes da prefeitura, sobretudo em relação aos critérios para distribuição das vagas em creches de tempo integral. A explicação oficial é de que existe um procedimento em que são envolvidos, além do conselho das escolas, equipe do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e das unidades PSF (Saúde da Família).

Ainda temos crianças sem vagas e isso é triste, muito triste. Enquanto a gente tiver uma criança sem vaga em creche neste país, não conseguiremos resolver a situação da desigualdade”, disse Angela.

O vereador Paulo Campos (PSD) definiu a audiência “produtiva em inúmeros aspectos”, por ter contribuído para esclarecer alguns dos questionamentos que são levados, diariamente, aos gabinetes dos parlamentares. “Vivemos um momento difícil no nosso País, com 14 milhões de desempregados, razão pela qual entendo oportuno um debate democrático como o que ocorreu. Isso enriquece a Democracia”, concluiu.

Participaram da audiência os vereadores José Aparecido Longatto (PSDB) e Pedro Kawai (PSDB), e o secretário municipal de Administração, Evandro Evangelista, e o procurador-geral do município, Milton Sérgio Bissoli.

Da Redação