Em pauta: fazer coisas boas por Piracicaba

Entre suas bandeiras está a falta de segurança na Praça. “Pessoas são assaltadas em plena luz do dia”. (foto: Claudinho Coradini/JP)

O jornalista, radialista e vereador de Piracicaba, Lair Braga, nasceu em Cajobi (SP) e cresceu em Olímpia e trabalhou e morou em São Paulo, onde atuou em várias emissoras de rádio e TV. Lair é filho do casal Adélia Caetano Braga e José Braga e tem quatro irmãos: Luiz Carlos (mecânico industrial),  Maria Aparecida (dona de casa), Neide Aparecida (dona de casa) e José Carlos (contador).

Casado com a enfermeira charqueadense Regina Aparecida Amélia Souza Silva Braga, ele conta que o relacionamento contribuiu para que ele viesse atuar em Piracicaba. Lair e Regina têm quatro filhos: Menderson Silva Braga, empresário, 40 anos, Melissa Silva Braga de Faria, 39 anos, psicóloga, Michela Silva Braga, 34 anos, publicitária e Maxwell Silva Braga, 29 anos, publicitário.

Lair iniciou a carreira de radialista na cidade de Olímpia e aos 18 anos seguiu para São Paulo. Na época, o Sindicato dos Radialistas não permitia que o profissional atuasse na Capital se não tivesse quatro anos de registro. Lair então foi trabalhar na cabine da Estação Rodoviária de São Paulo, anunciando embarque e desembarque de ônibus e lá conseguiu o registro como locutor.

Como ele trabalhava na rodoviária das 18h às 1h  conseguiu um emprego na Rádio Clube de Santo André das 7h às 11h. A emissora era muito ouvida em Santos, a Rádio Cultura do litoral o convidou e ele ‘desceu a serra’. Em Santos, trabalhou nas rádios Cultura, Atlântica e Tribuna, hoje também TV Tribuna.

Lá conheceu a esposa Regina, que era enfermeira na Santa Casa de Santos. Ainda com o sonho que o acompanhava desde a saída de Olímpia, Lair queria fazer rádio em São Paulo. O radialista subiu a serra e entrou na Rádio Record de São Paulo, onde atuou com  Franco Neto (criador do ‘Repita Hora Certa’ no Jornal da Manhã – até hoje no ar), Odair Batista, Milton Neves, Vanderley Nogueira, Zuza Homem de Melo, Antonio Freitas e José Silvério (narrador esportivo, hoje na Bandeirantes).

E aí entra Piracicaba.  A esposa Regina e os filhos Menderson e Melissa não se adaptavam na Capital, porque nesta fase da vida profissional ele tinha três empregos: TV Gazeta, de manhã, à tarde, a Rádio Jovem Pan e também fazia algumas dublagens.  Como a família vinha sempre a Charqueada, passou a admirar a cidade de Piracicaba. Um dia ele foi à Rádio Difusora, conversou com a direção e está lá até hoje.

Em seu primeiro mandato como vereador em Piracicaba, Lair Braga tem atuado – entre outras áreas – em melhorias para a Praça José Bonifácio, no Centro da cidade, e na campanha de prevenção ao suicídio.

Ele admitiu o problema em encontrar horas vagas, mas quando consegue,  gosta assistir a documentários na TV e curtir os quatro filhos e os cinco netos. Em uma dessas horas, ele respondeu às questões da reportagem do Jornal de Piracicaba para o Persona deste domingo.

 

Por que o senhor decidiu seguir a carreira política?

A minha profissão de jornalista e radialista já nos envolve com os problemas e discussões da população, já é meia porta de entrada e a vontade de fazer coisas boas para nossa querida Piracicaba completa nossa carreira política.

 

O senhor está em qual mandato na Câmara de Vereadores?

Estou no primeiro mandato.

 

O senhor tem apresentando uma série de questionamentos à prefeitura com relação a praça José Bonifácio, no Centro da cidade. Quais os principais problemas que o senhor aponta no local?

O 1° problema é a falta de segurança. As pessoas são assaltadas em plena luz do dia. À noite então, não dá para frequentar a Praça. A forma de segurança não funciona. Vou dar um exemplo: A viatura da Guarda Civil fica perto do Poupatempo, ali parada e o assalto acontece perto da Catedral. Defesa e ataque em lados opostos. O que cobro do Comando é que os Guardas Civis circulem pela Praça, nada contra os Guardas que ficam parados, pois acho que eles devem receber ordens para não circular a pé, ou de viatura pela Praça. Com esta insegurança o povo e os idosos não frequentam mais a Praça. Os pombos têm diminuído bastante devido às podas de árvores. Agora vem o detalhe mais preocupante: Moradores de Rua, sempre converso com eles e cada um tem uma história, um teve problema com a família, o outro, uma decepção amorosa, outro, tem problema de depressão, um diz que é sozinho no mundo. E infelizmente álcool e outros males à saúde. As igrejas ajudam na alimentação, o Projeto Hugh, tenta recuperá-los, mas é uma situação difícil. Parte da população as vezes se sente incomodada por eles, que em determinados casos são abusivos. Isto é uma questão social, não só na Praça José Bonifácio, mas em outras Praças e pontos estratégicos de Piracicaba e em outras cidades também. Já fiz uma Audiência Pública para discutir na Câmara Municipal sobre a questão envolvendo Smads – Secretaria de Promoção Social), Centro POP, Secretaria da Saúde, Projeto Hugh, Guarda Civil, Polícia Militar e Moradores de Rua. O encontro foi muito discutido, mas nada de concreto ocorreu e o número de moradores vem aumentando, isto é preocupante. Acho que as partes envolvidas têm que aprofundar a questão. Penso em convidar o Ministério Público para saber qual a opinião do órgão a respeito. Não penso que a situação da Praça seja negligência da Administração, eu frequento a Praça José Bonifácio há 35 anos (afinal a Rádio Difusora fica na Praça) e a única vez que a Praça teve reforma foi quando João Hermman Neto era prefeito, de lá pra cá foram   ações paliativas.

 

Em sua opinião, a praça foi negligenciada pela administração municipal?

Não penso que a situação da Praça seja negligência da Administração, eu frequento a Praça José Bonifácio há 35 anos (afinal a Rádio Difusora fica na Praça) e a única vez que a Praça teve reforma foi quando João Hermman Neto era prefeito, de lá pra cá foram ações paliativas.

 

Qual a importância da praça José Bonifácio para a população piracicabana?

No meu entender a Praça José Bonifácio é o ponto de encontro dos piracicabanos de todas as faixas etárias, crianças, jovens e aposentados é o espaço livre da população, poder se sentar, num banco, ler um livro, conversar com alguém brincar com as crianças, tomar um sorvete comer uma pipoca, um cachorro quente, são coisas simples, mas importantes na nossa vida. Já dizia Castro Alves “A Praça é do povo como o céu é do Condor”.

 

Diante dos seus questionamentos e pelas respostas e justificativas apresentadas pela prefeitura, o senhor acredita que serão feitas melhorias na praça?

Sim, as melhorias inclusive já começaram. A primeira etapa trata da reconstrução do piso, da manutenção de sanitários e demolição de guarita na Praça José Bonifácio, no valor de R$ 95.918,31. A segunda etapa também já se iniciou com a reconstrução do piso do parque infantil, demolição da fonte e melhoria parcial da iluminação na Praça, no valor de R$221.304,98. A outra etapa com investimentos de R$ 74.390,23. Os investimentos previstos já estão em torno de R$ 552.623,26.

 

Quais as suas sugestões de melhorias para o local?

Gostaria de sugerir a implantação de uma academia ao ar livre e plantio de flores para deixar a Praça mais colorida e alegre, e também uma concha acústica para manifestações culturais.

 

O senhor também tem trabalhado – enquanto parlamentar – em um problema que atinge famílias em todo mundo, a questão do suicídio. Por que o senhor decidiu fazer esse trabalho?

É preciso deixar de ter medo de falar sobre o assunto, derrubar tabus e compartilhar informações ligadas ao tema como já aconteceu no passado por exemplo, com doenças sexualmente transmissíveis ou câncer a prevenção tornou – se realmente bem sucedida quando as pessoas passaram a conhecer melhor sobre esses problemas. Nós que militamos na imprensa éramos orientados a não divulgar suicídios por entenderem que isso influenciasse outros a cometer o suicídio. Este tabu foi quebrado e hoje há necessidade de prevenir, identificando e ajudando pessoas a mudar de ideia.

 

A cada meia hora uma pessoa se suicida no Brasil, como está essa situação em Piracicaba, o senhor tem estatísticas locais?

Não dá para colocar Piracicaba na estatística geral do Brasil, porque as situações são  diferentes a cada cidade, mas a estatística não é boa, Piracicaba é a cidade da região onde mais se comete suicídio.

 

Há um perfil do suicida atualmente e as causas que têm levado essas pessoas a agir contra a própria vida?

Segundo especialistas, no momento em que tem ideias conflituosas. Ela busca atenção por se sentir esquecida ou ignorada e tem a sensação de estar só – uma solidão sentida como um isolamento insuportável. O pior de tudo isso é que o suicídio atinge crianças e adolescentes. Fique atento se a criança ou adolescente ficar isolado no quarto, fica sem tomar banho, não liga para roupa e apresenta um quadro depressivo, procure ajuda.

 

A campanha Setembro Amarelo tem surtido efeito no sentido de alertar as pessoas sobre o problema?

Sim, o Setembro Amarelo para o nosso gabinete foi uma grande surpresa, o interesse não somente de famílias, como de entidades ligadas à saúde mental.

 

O trabalho de prevenção é direcionado à pessoa ou às famílias de maneira geral?

Eu diria que o suicídio é direcionado à toda a sociedade em geral.

 

Em sua opinião, o que pode contribuir para a diminuição dos casos de suicídio no Brasil?

Penso em que ações como Setembro Amarelo, reunindo profissionais da saúde mental, psicólogos, psiquiatras e poder público agindo em conjunto

contribuem muito na prevenção.

Quero agradecer as entidades que nos apoiam neste “Setembro Amarelo”:

Caphiv, Prefeitura, por meio das Secretarias: Saúde, CAPS – regionais e Infanto-Juvenil, SMADS, Educação Municipal – Saúde Escolar, Cerest, Cedic, Guarda Municipal, Semuttran, Faculdades: Anhanguera, Unimep e Anhembi – Morumbi, Etecs, Diretoria de Ensino, Rotary, Unimed, entre outras entidades, e também à minha assessoria. Para a consulta do Calendário Municipal, somente consultar o site Câmara Municipal: www.camarapiracicaba.sp.gov.br ou das demais entidades apoiadoras do projeto.

 

Beto Silva
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