Em um mês, etanol sobe 10%; preço atinge R$ 2,799

preço Preço do etanol varia de R$ 2,379 a R$2,799. (Foto: Amanda Vieira / JP)

O preço do etanol nas bombas subiu 10% nas últimas quatro semanas conforme levantamento divulgado pela ANP (Agência Nacional de Petróleo). O preço médio do combustível oscilou de R$ 2,399 em 19 de agosto para R$ 2,639 em 15 de setembro. Apesar disso, atualmente, o valor do litro do etanol está entre R$ 2,379 e R$ 2,799 em Piracicaba. No mesmo período, segundo a ANP, a gasolina variou 4,26%, saindo de um valor médio, por litro, de R$ 4,239 para R$ 4,449.

Para o gerente técnico agronômico da Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba), José Rodolfo Penatti, a variação aconteceu devido a defasagem do preço da gasolina em relação ao etanol. “O preço da gasolina está num patamar que acaba favorecendo o motorista a consumir etanol. Nas últimas semanas, com o crescimento da procura pelo etanol e os constantes reajustes na gasolina e do diesel forçaram o etanol acompanhar a tendência de alta nos preços. Hoje, os valores dos combustíveis estão mais parelhos (parecidos) e quase não há defasagem”, disse.
De acordo com Penatti, a tendência é de que o preço do etanol continue subindo já que o término da safra está próximo. “Já temos usinas parando de moer a cana e a produção do combustível começa a diminuir, apontando para uma antecipação do término da safra em pelo menos 30 dias da data prevista, que é a segunda quinzena de novembro. Isso não deverá influenciar nos estoques, neste momento, porém, se a procura pelo etanol seguir em alta, os preços devem subir ainda mais”, completou.

O gerente da Afocapi lembrou que, mesmo com uma produção maior de etanol este ano devido a defasagem do preço do açúcar no mercado externo , a produção de cana está menor se comparado com o mesmo período da safra passada. “Até o momento, tivemos uma quebra de safra de 10% no Estado de São Paulo e uma média de 15% na região de Piracicaba o que colabora para o preço do mix dos produtos feitos a partir da cana fiquem mais altos”, ponderou Penatti.

“Tivemos um período grande de estiagem, entre abril e junho, que prejudicou o crescimento da cana. Por outro lado, vemos com bons olhos a grande procura por etanol, pois incentiva a mão de obra local, mas a economia da região ficar melhor além de ser menos poluente que a gasolina”, conclui Penatti.

Segundo o Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo de São Paulo), o consumo de etanol nas bombas dos postos de combustíveis do Estado alcançou, pela primeira vez, em setembro, a mesma proporção da gasolina. “50% das vendas foram de etanol e 50% de gasolina. Até hoje, o que se verificava era um escoamento médio de 60% de gasolina”, informou.

(Felipe Poleti)