Entidade aciona MP contra corte de árvores da Boyes

A Sodemap (Sociedade para a Defesa do Meio Ambiente de Piracicaba) protocolou uma representação no MP (Ministério Público) contra o corte de três seringueiras da praça da Boyes, ao lado da rua Luiz de Queiroz. A entidade questiona uma suposta falta de laudos que comprovassem que as três árvores estavam comprometidas. O promotor do Meio Ambiente de Piracicaba, Gregório Eduardo Rafael, solicitou informações da prefeitura sobre o caso.
 
O trabalho de supressão das árvores começou em 5 de fevereiro pela Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do Meio Ambiente) e se arrastou por mais de 60 dias. Segundo a prefeitura, as três árvores da espécie falsa seringueira (fícus ellastica) têm idade estimada entre 70 e 80 anos e ofereciam riscos aos pedestres, motoristas e frequentadores da praça.
 
O secretário de Meio Ambiente, José Otávio Machado Menten, afirmou que a pasta buscou alternativas para evitar o corte, mas a situação seria irreversível. Segundo ele, as análises técnicas ocorreram em 2017, coordenadas pelo Departamento de Arborização Urbana da Sedema, e contou com o acompanhamento técnico de um entomologista (especialista em insetos) da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz).
 
De acordo com a vice-presidente da Sodemap, Eloah Margoni, a entidade reconhece que uma das árvores estava com “aspecto de doente”, mas questiona o corte das demais. Em um dos apontamentos feitos ao MP, a Sodemap disse que os “cortes mostraram troncos e galhos hígidos e bem saudáveis à inspeção macroscópica”.
 
O órgão também cobra maior clareza sobre os testes realizados. “Realmente, havia uma seringueira que começou a perder folhas, uma delas tinha aspecto de doente, que estava afetada. Precisamos saber se a Esalq excluiu envenenamento, por exemplo, já que não seria a primeira vez. Quais métodos foram usados para excluir?”, questionou Eloah.
 
A assessoria de imprensa do MP confirmou que solicitou informações para a prefeitura sobre o caso. O prazo para resposta é de 30 dias.
 
O JP questionou a prefeitura sobre quais laudos apontaram o estado crítico das árvores e qual profissional da Esalq acompanhou os testes. Houve resposta apenas sobre os motivos que motivaram o corte.
 
“Nos laudos técnicos de engenheiros agrônomos especialistas da Sedema foi constatado risco eminente de queda de outros galhos igualmente grandes (equivalem ao tamanho de uma árvore tamanho médio). O local, inclusive, tem grande aglomeração de pessoas diariamente, especialmente à noite e aos finais de semana, por conta de bares e restaurantes. As três seringueiras, com idade estimada entre 70 e 80 anos, apresentavam alto sinal de necrose, já estavam ocas, além do problema de broca — um inseto altamente nocivo, que ataca os pontos de transporte da seiva da árvore. Somado a isso, a madeira ‘morta’ estava infestada por cupins e as raízes, secas”, explicou a prefeitura.
 
O JP pediu um posicionamento da Esalq sobre o caso, mas não houve retorno.