Entidades apontam crise e corte de atendimentos

A crise econômica vivida em 2017 abateu as entidades assistenciais de Piracicaba. Com dificuldades de arrecadação, muitas entidades estão com sérios problemas para manter seus projetos em 2018 e cortes nos atendimentos já começaram. Conforme informou o CMDCA (Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente) outro fator que preocupa é a redução dos repasses do Fumdeca (Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente) para este ano, que chega a 10,9%, saindo de R$ 2 milhões ano passado para R$ 1,8 milhão, além de reduzir o número de projetos atendidos, de 26 para 16.
 
Letícia Gandelin, gerente administrativa da Funjape (Fundação Jaime Pereira), afirmou que, devido a crise, a captação de recursos foi menor e a entidade não teve um de seus projetos aprovados. “Sem este projeto vamos ter que reduzir o atendimento. Até agora precisamos dispensar 50% dos funcionários, diminuímos o cadastro de novos atendidos de 4 para 1 por semana, o número de cestas básicas entregues serão cortadas em 50%, bem como as fraldas que ofertamos. Os suplementos já estamos sem”, afirmou.
 
A diretora do Espaço Pipa e também presidente do CMDCA, Euclídia Maria Fioravante, lembra que a crise fez o governo estadual mudar a forma de repassar os créditos da NFP (Nota Fiscal Paulista) o que prejudicou as entidades. “Os recursos para manutenção das atividades do Espaço Pipa caíram 50% no último ano, principalmente as mudanças da destinação da NFP. Estamos com 83 famílias atendidas e já cortamos atendimentos complementares de fonoaudiologia, fisioterapia, pedagógico e de terapia ocupacional”, lembrou.
 
A assistente social da Auma (Associação de Pais e Amigos de Autistas), Camila Banzatto, disse que os serviços da entidade sempre vieram das parcerias e convênios que realizam ao longo do ano, porém agora foram reduzidos. “Este ano, dos dois projetos que tinham apoio do Fumdeca, um teve que ser adiado e deixaremos de prestar serviços complementares em atividades esportivas e fisioterapia. Hoje são 30 adultos e 40 crianças e adolescentes assistidos por nós”, ponderou.
 
Também em situação difícil, porém “ainda não em crise”, como afirma Mariana Luciano, gerente do CRP (Centro de Reabilitação Piracicaba), as alterações feitas na NFP prejudicaram muito a arrecadação da entidade, porém, não foram necessários cortes devido a parcerias junto ao município e ao Estado. “Unimos forças com o Espaço Pipa e, juntos, captamos R$ 450 mil para executar três projetos nas áreas de esporte e autonomia da pessoa com deficiência; e o CRP captou, através do Fumdeca, R$130 mil para atender bebes prematuros de risco”, finalizou.