Entre facada e céu azul, os Ipês!!!

Maria Helena Aguiar Corazza

E, os ipês estavam lá embaixo, de um inacreditável céu límpido e azul. Ele continuou lá em cima observando paisagens encantadoras e atitudes consoladoras e dignificantes, mas, também ódios, maldades e incoerências que sempre acontecem entre o céu e a Terra. O céu simplesmente ficou lá e permaneceu no seu lugar, enquanto novamente a conduta do ser humano deixava perplexa e aturdida uma plateia que precisa e tenta sobreviver e se organizar para conduzir seus atos, pensamentos e condutas com mais lógica e coerência em seu caminho e consequentemente, melhorando e sossegando sua mente e coração.

Aí surge então, um atentado à Vida, um ato de violência (mais um nos dias conturbados de hoje…), uma facada quase mortal que poderia atingir a qualquer ser humano, candidatos ou não às eleições, tantos outros em atos contínuos, pois esses fatos criminosos e abomináveis aparecem de todas as formas, todos os dias em pessoas e em qualquer lugar, cidades, trânsito, ruas ou casas, no trabalho, famílias, escolas, todos os dias nesse mundo que busca normalidade e paz.

Difícil tentar deter ou explicar esse desequilíbrio da Humanidade que a cada dia aumenta e apresenta suas maiores formas de atuação com desempenhos terríveis e desastrosos! Difícil aconselhar ou pedir reflexões, piedade, espiritualidade ou entendimento racional, pois, se existem formas ou fórmulas nessas ações atuais, o resultado tem mostrado que, mais do que nunca, o descontentamento, a opressão, a penúria, a aflição pela instabilidade e as mágoas que provocam tanto descabimento, injustiças, egoísmo e frustrações vão se avolumando até chegar à ultrapassagem de todos os limites ocorridos a que temos assistido.

No entanto, com a graça de Deus, para amenizar a cada novo dia nessa temporada que é deles acontece a explosão incrível dos ipês, quando o deslumbramento encobre todos os obstáculos da desgraça e da incoerência e, passando incólume em suas floradas em milhões de pétalas floridas em suas cores lindas e diversas derramando o encanto e o deslumbramento que cada qual traz dentro de si e que deve ser preservado.

Enfim, como consolo ao menos, o céu não vai deixar de existir pelas inconsequências, atrocidades e insanidades de tantos desajustamentos. As facadas físicas e morais marcarão é verdade e deixarão trágicas lembranças, mas cicatrizarão apesar das marcas indeléveis que deixarão irreversivelmente encravadas. Os ipês, porém, indiferentes ao que aconteça lá fora e embaixo do lindo céu irão partir em busca de suas novas e próximas estações com novas cores e novas flores, onde a primavera majestosa é que comandará o seu retorno no tempo certo para florir novamente.

É escritora e ex-presidente da Academia Piracicabana de Letras