Esalq veta gramado central para evento da Reforma Agrária

A Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) vetou o uso do gramado central do campus para a 5ª Jura (Jornada em Defesa da Reforma Agrária), que acontece entre os dias 16 e 21. A informação é do professor do Departamento de Ciências Florestais da instituição e coordenador do Oca (Laboratório de Educação e Política Ambiental), Marcos Sorrentino, que foi alvo de sindicância no ano passado por, teoricamente, realizar um evento com a presença de integrantes do MST (Movimento dos Sem Terra). O resultado da investigação interna ainda não foi divulgado pela escola.
 
A atividade vetada pela universidade é exatamente a mesma que ocorreu em abril do ano passado, quando foi feita uma oficina agroecológica em conjunto com o MST para mostrar a montagem de barracas de assentamentos e o dia a dia do militante acampado. Uma notícia falsa circulou nas redes sociais dizendo que o movimento estaria invadindo o campus, o que foi desmentido pela diretoria.
 
A Esalq abriu uma sindicância, após receber denúncia alegando suposto uso de estrutura pública sem aprovação. A postura da universidade foi repudiada pelo MST, a ABA (Associação Brasileira de Agroecologia) e a UNE (União Nacional dos Estudantes), em novembro do ano passado, quando houve ato em solidariedade a Sorrentino.
 
Quase um ano depois do caso, o resultado da sindicância ainda não foi divulgado. Ao JP, Sorrentino disse que solicitou informações sobre o andamento, mas lhe informaram que o processo não tinha sido finalizado. O docente acredita que a não divulgação do resultado pode ter relação com o veto.
 
“Inclusive o motivo de não terem divulgado até hoje talvez esteja associado a criar um constrangimento, para não fazermos as atividades no gramado de novo. Foi solicitada especificamente a autorização, e a única resposta foi de que as atividades deveriam ser feitas em recinto fechado. A gente solicitou que se eles não permitem o gramado central, que indiquem os motivos e que nos indiquem outro local (aberto). Até agora não indicaram”, afirmou Sorrentino, que foi diretor de Educação Ambiental do Ministério do Meio Ambiente entre 2003 e 2008, no governo Lula, e assessor especial do Ministro da Educação entre 2012 e 2014, no governo Dilma Rousseff.
 
A Jura começa nesta segunda-feira (16) e, até quarta (18), serão desenvolvidos os trabalhos que culminariam na montagem da lona, na quinta (19). “É a alegação não oficial, nas conversas fora da reunião, dizendo que ‘não pode usar bandeira de partido’. Não teve bandeira de partido, teve do MST. É muito perigoso esse tipo de argumento porque a gente começa a caminhar para possibilidade de autoritarismo”, disse o professor.
 
A assessoria de imprensa da Esalq informou que, segundo a Procuradoria da USP (Universidade de São Paulo), “a sindicância tem caráter de sigilo e qualquer informação pode ser solicitada apenas pelo advogado dos envolvidos, com a ressalva de fazer uso exclusivamente jurídico”. A universidade ressaltou que o Conselho Gestor do Campus Luiz de Queiroz apoio a Jura, mas indeferiu a utilização do gramado “por não se enquadrar como atividade apropriada para aquele espaço físico”. “Além disso, a Procuradoria Geral da USP também emitiu parecer contrário à ocupação do referido espaço para o evento. A Comissão Organizadora do Jura tomou ciência das decisões administrativas relatadas”, traz a nota.
 
A programação completa da Jura pode ser conferida no site www.juraesalq. wordpress.com.