Escassez de chuva mantém PCJ em estado de atenção

O Consórcio PCJ (bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí) mantém o estado de atenção quanto a preocupação com a escassez de água em 2018. A explicação está nos baixos índices de precipitação nos primeiros 46 dias do ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Conforme dados do Posto Meteorológico da Esalq/USP, em 2017 foram 392,2 milímetros de chuva e, neste ano, apenas 257,8 mm. 
 
De acordo com os dados do Posto Meteorológico, janeiro de 2018 teve indicador abaixo da média histórica para o mês que é de 258 mm, diferente do que aconteceu em 2017, quando a precipitação chegou a 336,6 mm. Da mesma forma aconteceu com os primeiros 15 dias de fevereiro que registrou 32,8 mm este ano ante 55,6 mm, no mesmo período do ano passado. A média histórica para o fevereiro é 172 mm. 
 
José Cezar Saad, coordenador de projetos do Consórcio PCJ, explica que a preocupação se dá devido à dificuldade no abastecimento que as cidades vem apresentando nos últimos anos. “Já enfrentamos o primeiro evento extremo em 2014 e 2015 com a crise hídrica e muitos municípios precisaram racionar água. Apesar de hoje termos certa folga com o abastecimento, principalmente no Sistema Cantareira, se as chuvas seguirem escassas corremos o risco de novo racionamento neste ou no próximo ano”.
 
Outro detalhe observado por Saad é a indicação de um longo período seco para o Estado. “Historicamente, vivemos ciclos de 20 ou 30 anos, com muita umidade ou tempo seco. Segundo alguns estudos, em 2011, começou o ciclo seco”, completou.
 
Além disso, o coordenador de pesquisas do Consórcio PCJ disse que existe outro desafio a ser enfrentando que é ofertar água em quantidade e qualidade. “Não adianta ter água e não poder utilizá-la porque ela não tem qualidade para ser tratada. A poluição dos mananciais é mais uma preocupação nossa. Hoje, 95% do abastecimento de Piracicaba vem do rio Corumbataí e o restante do Piracicaba. Por mais que ele tenha volume e chame atenção pela imponência, ele recebe muita poluição vinda de cidades que o margeiam”, ponderou.
 
De acordo com Saad, durante eventos extremos é comum a ocorrência de chuvas intensas em um curto espaço de tempo, sendo que ela não recupera a umidade do solo nem o lençol freático. “Por mais que traga muita água, esta mesma não é aproveitada e causa estragos. Para nós, o ideal seria aquela chuva mansa, que dura vários dias”, finalizou.