Esgoto tem de quadro de moto a leitoa

Além disso, algumas pessoas descartam na rede óleo de fritura, que vira uma placa obstruindo a fluidez. (foto: Divulgação)

Em média, são realizados 900 atendimentos por mês para desobstrução de rede de esgoto que possui mais de 1.400 quilômetros, em Piracicaba. De acordo a concessionária Mirante – responsável pelo tratamento do esgoto em Piracicaba – , no período das chuvas esse número aumenta exponencialmente. Piracicaba possui 56 estações elevatórias de esgoto (para bombeamento dos efluentes) e 25 estações de tratamento de esgoto.

Fazer a manutenção da tubulação e retirar o material que obstrui a rede é tarefa das equipes. O que foge da rotina, no entanto, é o tipo de material encontrado pelos funcionários que impede o escoamento do esgoto.

De quadro de moto e de bicicleta até leitoa e cachorro mortos, os trabalhadores já foram surpreendidos com a localização de objetos que a primeira pergunta é “como isso veio para aqui?”. Segundo a assessoria de comunicação, o lixo muitas vezes é despejado diretamente no vaso sanitário, nos ralos do banheiro, na pia da cozinha, às vezes em ralos do quintal (que embora seja destinado à água de chuva, algumas vezes está erroneamente conectado na rede de esgoto). Outras vezes, como no caso do quadro de moto encontrado na rede, o descarte é feito diretamente no poço de visita. “Infelizmente tem pessoas que acabam descartando óleo de fritura e gordura, até mesmo de estabelecimentos comerciais, restos de alimentação, diretamente na rede coletora. O ideal é que as casas tenham caixa de gordura e que estejam sempre limpas, pois ela impede que a gordura siga na tubulação”, informou a Mirante.

Dentro da tubulação, a gordura é similar ao organismo humano, vira uma placa, na qual todos as sujeiras menores se acumulam, formando uma placa que impede e entope a tubulação, dificultando o escoamento. Nesse caso, o esgoto volta e extravasa em algum poço de visita ou retorna para dentro das casas. Para evitar extravasamentos, a empresa tem como rotina fazer limpeza preventiva, com caminhão de alta pressão, principalmente na região central da cidade. E além de acúmulo de gordura, os técnicos encontram na tubulação muito lixo, como tecidos, plásticos, preservativos, fios de telefone, galões, garrafas pet, arames, embalagens de leite, entre outros objetos.

Além de fazer a manutenção e limpeza preventiva da rede de esgoto, o Programa Ribeirão Limpo, desenvolvido pela concessionária, tem equipe dedicada exclusivamente a esse tipo de monitoramento. “Para o bom funcionamento do sistema de esgotamento sanitário, além do trabalho operacional realizado pela concessionária, é necessária também a participação da população em não descartar gordura e lixo na rede de esgoto”, reforçou Valdir Alcarde Júnior, gerente de engenharia e operações da Mirante.

Beto Silva
beto.silva@jpjornal.com.br