Especialistas lançam manifesto contra extinção de muriquis-do-sul

Assinatura do documento é para garantir a conservação desse e de outras 11 espécies. (Divulgação)

A reserva do Barreiro Rico, no município de Anhembi, é a casa do maior primata das Américas, o muriqui-do-sul, e um dos pontos de maior preservação da biodiversidade da Mata Atlântica. Com importância para a sustentabilidade do planeta, essa região recebeu, nesta semana, visita técnica de especialistas internacionais em primatas. Com dados coletados, encontro realizado ontem na Esalq/USP lançou um manifesto em defesa de sua preservação.

Além de representantes da Fundação Florestal, órgão que administra a reserva, assinaram o manifesto Russel Alan Mittermieier, diretor da Conservação da União Internacional para Conversação da Natureza, Karen Strier, presidente da Sociedade Internacional de Primatologia, e Leandro Jerusalinsky, diretor do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Primatas Brasileiros, do ICMBio (Instituto Chico Mentes de Conservação da Biodiversidade).

“Este encontro sem dúvidas foi um encontro histórico. Vai mudar completamente o futuro da conservação de primatas no estado de São Paulo, muito especialmente para o muriqui-do-sul, mas também para as outras 11 espécies de primatas que existem neste estado, inclusive vários ameaçados de extinção e em especial o mico-leão-preto, que é endêmico”, afirmou Mittermieier.

O encontro teve por objetivos assegurar a proteção do habitat das espécies, discutir como criar corredores florestais que garantam a sobrevivência dos primatas e envolver a população para que todos ajudem a melhorar a proteção da região, que o manifesto traz como “de fundamental importância para o sucesso dessa empreitada”. O documento aponta ainda que os incêndios “já destruíram cerca de 40% dos remanescentes das matas centrais da dessa área protegida” e que “são fatos inadmissíveis que requerem ação urgente”.

De acordo com Edson Montilha, gerente do litoral sul da Fundação Florestal, ainda no primeiro semestre deste ano a entidade fará diagnóstico que dará embasamento técnico preciso para as futuras ações que o manifesta traz como necessárias. “Só esse diagnóstico vai poder dizer pra gente qual é o melhor caminho a seguir na conservação dessas cinco espécies”, afirma.

 

Andressa Mota
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