Esportistas encontram cascudo mortos em lagoa

peixes Lagoa suja e odor forte também são motivo de reclamações dos usuários. (Foto: Claudinho Coradini / JP)

Esportistas que frequentam a Área de Lazer da Rua do Porto para praticar canoagem relatam a presença de peixes da espécie cascudo mortos ou agonizando na lagoa do local. O fato começou a ser presenciado há uma semana. Eles sugerem que o jato para oxigenação da represa fique ligado por mais tempo (atualmente é acionado das 7h às 8h). O volume de peixes mortos encontrados não é grande, porém o fato de a espécie em questão ser conhecida como uma das mais resistentes à poluição e à baixa oxigenação preocupa os reclamantes que temem ser um indicador de que não há mais nenhum tipo de peixe na lago

“Se estão morrendo até os cascudos, pode ser um sinal de que não tem mais nada lá”, opinou Thiago Diniz. Ele é atleta de canoagem e postou vídeo em rede social no qual mostra alguns exemplares de cascudos mortos e segura na mão outro que agoniza.

A bióloga e mestranda em ecologia Marcela Teixeira conhece bem a lagoa da área de lazer já que desempenha atividade relacionada à canoagem (é árbitra internacional do esporte) e frequenta regularmente o local. Ela diz ser possível que, no caso da lagoa da área de lazer, esteja ocorrendo o inverso do que acontece normalmente em casos de mortandade, nos quais outros peixes morrem primeiro e os cascudos são pouco – ou nada – atingidos. Marcela acredita que haja, sim, outras espécies de peixes na área de lazer que, por enquanto, não estão sendo afetadas.

O cheiro no parque público está mais forte, afirma Diniz, e pode incomodar outros frequentadores, esportistas e turistas. Ela diz que o odor pode decorrer não apenas dos peixes mortos, mas também da decomposição das algas.

Apontar com exatidão a causa da morte dos peixes, explica a bióloga, só seria possível por meio de uma pesquisa aprofundada. Marcela menciona, no entanto, a hipótese que ela considera mais provável. “Todos os anos acontece algo parecido na época de estiagem. A entrada natural de água praticamente seca e baixa a oxigenação. Algas e pequenos animais morrem e os corpos descem para se decompor no fundo. As bactérias que fazem a decomposição consomem muito oxigênio. Por isso, talvez os níveis de oxigênio estejam mais baixos no fundo da represa e o cascudo, que é um peixe bentônico (vive no fundo), esteja sendo mais afetado”.

Os corpos d’água, diz Marcela, dividem-se em três colunas horizontais: fundo, meio e superfície. “Caso a baixa oxigenação atinja as demais camadas, outras espécies de peixes podem ser afetadas também”. Em janeiro, a Aperp (Associação dos Pescadores Esportivos do Rio Piracicaba e Afluentes) soltou, em parceria com o instituto Beira Rio, 800 alevinos (com tamanho médio de 6 cm), da espécie pacu, na lagoa. A respeito da oxigenação artificial por meio do jato, a bióloga explica que ela é mais simples, barata e menos agressiva que outros métodos.

ANÁLISE DA ÁGUA – A Sedema (Secretaria Municipal de Defesa do meio Ambiente) comunicou ter sido informada na manhã da última quinta-feira (23), sobre a “mortandade de alguns cascudos da lagoa do Parque da Rua do Porto”. “Ao ser informada, os técnicos da Sedema solicitaram ao Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) o recolhimento de amostras para análise da água. A secretaria deve encaminhar uma equipe para efetuar a remoção dos peixes mortos, enquanto aguarda o laudo do Semae para saber se houve o descarte irregular de algum efluente na lagoa com alguma substância. A partir dessas informações, será possível identificar as possíveis causas que ocasionaram este problema e tomar providencias”.

(Rodrigo Guadagnim)