Esquizofrenia afeta 23 milhões de pessoas em todo o planeta

Quando o paciente se recusa a utilizar a medicação oral, aumenta o risco de recídas

Nesta sexta (24), é Dia Mundial da Pessoa com Esquizofrenia. A data já estava no calendário de diversos países há anos, mas no Brasil é a segunda vez em que aparece, por conta de
iniciativa do CEPP (Centro de Estudos Paulista de Psiquiatria), em parceria com a Abre (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Esquizofrenia e com o Proesq (Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo).

O Dia Mundial da Pessoa com Esquizofrenia tem a proposta de ser uma data para refl exão e difusão de conhecimento sobre a doença que afeta 23 milhões de pessoas no mundo, de acordo com
dados da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde). Trata-se de uma iniciativa importante, já que ainda existe muito preconceito em relação aos esquizofrênicos, vistos
como pessoas violentas e imprevisíveis. O elemento principal para mudar este cenário é a informação.

SINTOMAS
O psiquiatra Mário Louzã, doutor pela Universidade de Würzburg, na Alemanha, e coordenador do Programa de Esquizofrenia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de  Medicina da USP, explica que existem diversos processos que acontecem antes mesmo da doença se manifestar. “Sabemos que há todo um processo para chegar ao momento em que a doença aparece. Primeiro, existe uma base genética, que se soma a alguns fatores de risco: qualquer lesão no neurodesenvolvimento durante a gestação já deixa a estrutura cerebral vulnerável. Há ainda outros episódios de vida, como o uso de drogas na adolescência, quando o cérebro ainda está se ajustando”, afirma o especialista.

O diagnóstico da doença pode ser feito logo após o primeiro surto psicótico, que inclui delírios incompatíveis com a realidade e alucinações, na maioria das vezes, auditivas. Quando tratados, os pacientes entram em um estado de remissão, que diminui os sintomas, mas dá lugar a outros, como a apatia, falta de  motivação e dificuldade para expressar emoções. “É necessário tratar o paciente imediatamente para evitar novas crises, pois, do contrário, a pessoa pode piorar nos surtos subsequentes”, declara Louzã.

TRATAMENTO
Alguns medicamentos e diretrizes são básicos para o tratamento da esquizofrenia, mas é importante que o profissional de saúde busque a individualização, seja no ajuste da dose, forma farmacêutica ou troca da medicação. “Quando o paciente tem muita resistência a utilizar corretamente a medicação oral, aumenta o risco de recaídas e temos uma piora do quadro geral do paciente. Então, não é incomum fazer substituições até mesmo por formas injetáveis de longa duração dos antipsicóticos”, exemplifica o psiquiatra. O objetivo é sempre fazer com que o paciente volte a ter uma vida normal, na medida do possível. O apoio e dedicação dos familiares é fundamental e, mesmo que não haja remissão total da doença, a família é uma importante coluna de sustentação para lidar com os fatores que desencadeiam crises.

 

Mariana Requena