Estado vai estimular doação de órgãos na região

estado Doações de órgãos serão ressarcidas pelo SUS. (Foto: Arquivo / JP)

O DRS-X (Departamento Regional de Saúde) Piracicaba possui a segunda pior taxa de doadores de órgãos e tecidos para cada milhão de habitantes. São apenas sete doadores. Perde apenas para a região de São João da boa Vista, que contabiliza 1,2 doação por milhão de habitantes. Piracicaba e os outros 25 municípios que integram a Regional foram escolhidos pelo governo do Estado para o cadastro e credenciamento de estabelecimentos de saúde interessados em participar, de forma complementar do SUS (Sistema Único de Saúde), ao programa de doação de órgãos.

A medida foi publicada no DOE (Diário Oficial do Estado), no último sábado (18), para que a Secretaria de Estado da Saúde, regulamente o serviço por determinação da portaria 511/2010 do Ministério da Saúde, que, em tese, obriga todas as secretarias de estado e seus departamentos de regulação a adotarem as providências necessárias junto ao Datasus (Departamento de Informática do SUS), para o cumprimento da ampliação do serviço de captação, doação e transplante de órgãos.

De acordo com a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Marizete Medeiros, a região de Piracicaba possui nove estabelecimentos privados sem convênio com o SUS e com total capacidade de identificar possíveis doadores, viabilizar o processo e notificar as Centrais de Transplantes do estado.

O valor da remuneração pela prestação de serviços de saúde, terá como base os valores da Tabela de SUS. “A partir desse credenciamento, todo custeio, desde a identificação de um possível doador, até exames, diárias nas UTIs (Unidade de Tratamento Intensivo), cirurgia, roupa cirúrgica, entrevista com familiares, entre outros trâmites serão custeados pelos SUS”, explica Marizete.
Apenas a Santa Casa e o Hospital dos Fornecedores de Cana possuem esse trabalho sincronizado junto às Centrais de Transplantes. “A partir desse credenciamento, essas entidades privadas terão acesso aos registros e, por meio deles, poderão ser ressarcidos a cada doação de órgãos identificados pelo Ministério da Saúde”, explica a coordenadora. “O custeio de cada procedimento gira em torno de R$ 3 mil”.

Marizete informa que na prática há 258 hospitais privados em todo estado com possibilidade de doação.”O Estado de São Paulo possui uma das mais baixas taxas de doadores para cada milhão de habitantes. A melhor região é São José do Rio Preto, com 40 doadores. No Paraná, por exemplo, esse número é quase o dobro. Em Londrina, são 70 doadores por milhão de habitantes”, informa.
Piracicaba foi escolhida para mudar esse quadro. “Ela será também a primeira região a se adequar à resolução 2173/17, do Conselho Federal de Medicina, que define novos critérios sobre morte encefálica e exames para doação e transplantes de órgãos. Nesse sentido, nossa equipe irá capacitar esses profissionais, pois de nada adianta termos entidades cadastradas se os médicos não estiverem capacitados para darem início ao processo de doação de órgãos”, explica Marizete.

Em 2017, o Estado registrou 1.014 doações, ou seja, 84,5 doações/mês. “O ideal seriam, no mínino, 100 doações/mês”. O rim é o órgão que tem a maior fila a espera de um transplante no Estado. São 11.643 pessoas, o fígado está em segundo, com 515 pessoas, em terceiro o pâncreas/rim, com 379. Na lista de córnea estão 3 mil pacientes. “O convênio vai aumentar significativamente a doação de órgãos no estado. Vai dar vida às pessoas que têm como única salvação o transplante e vai dar qualidade de vida e autonomia aos que esperam por uma córnea para poder enxergar‘, enfatiza Marizete.

(Fernanda Moraes)