Estiagem é a mais rigorosa registrada nos últimos 18 anos

Seca ETA Capim Fino faz a captação do Corumbataí; seca deve continuar. (Claudinho Coradini/JP)

ETA Capim Fino faz a captação do Corumbataí; seca deve continuar. (Claudinho Coradini/JP)

A estiagem enfrentada por Piracicaba completa 103 dias hoje e é a mais rigorosa dos últimos 18 anos. O recorde registrado na estação meteorológica automática da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), são 108 dias sem chuvas agrícolas (acima de 10 mm em um único dia), registrados em 2000 (de 29/3 a 14/7). Como não há previsão de chuvas significativas para os próximos dias, o mais provável é que a seca deste ano supere a marca anterior.




Os registros do posto meteorológico Jesus Marden dos Santos, da Esalq, mostram que nesta época do ano o intervalo de chuva considerado “normal” varia entre 50 e75 dias. Este ano, Piracicaba não registra chuvas acima dos 10mm desde o dia 3 de abril.

Segundo o professor Felipe Gustavo Pilau, do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Esalq, um agravante deste ano é que apenas março teve chuvas dentro da média histórica. Em janeiro e fevereiro, choveu abaixo, a exemplo do que ocorreu em abril, maio e junho. Como os dados apontam que os meses de julho e agosto são os dois mais secos do ano, a situação preocupa.

Até o início desta semana, a explicação meteorológica era de que uma massa de ar seco e quente a dificultava a entrada de frentes frias na região de Piracicaba. Anteontem uma frente fria chegou à cidade, porém, sem a umidade suficiente para provocar chuva. Os pesquisadores da Esalq dizem haver outros fatores para explicar esse episódio de seca rigorosa. Estes, no entanto, só poderão ser elucidados posteriormente com estudos mais aprofundados.

O Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí entende que a estiagem atual pode ser classificada “evento climático extremo”. Ou seja, a entidade avalia que, com base em estudos internacionais, as mudanças climáticas podem ter influência no comportamento das precipitações de chuvas em todo o globo e, portanto, também em nossa região. O Consórcio PCJ orienta que os municípios das Bacias PCJ, onde está localizada a cidade de Piracicaba, comecem a se preparar para conviver com esses tipos de ocorrências climáticas extremas, que tendem a se tornar cada vez mais frequentes.

Piracicaba capta aproximadamente 85% da água usada para o abastecimento público do Rio Corumbataí, cuja vazão está próxima do limite, conforme noticiou o JP na edição do último dia 11. Um dos agravantes é o fato de não haver reservatórios no Corumbataí para regular a vazão.

(Rodrigo Guadagnim)