‘Eu não uso o clube para trampolim político’

futebol Capitão Gomes quer assumir o XV de Piracicaba em novembro. (Foto: Arquivo/Fabrice Desmonts)

Após declarar publicamente a intenção de concorrer ao cargo de presidente do XV de Piracicaba, há exatamente uma semana, o vereador Capitão Gomes (PP) movimenta-se nos bastidores para montar aquele que pode ser seu grupo de trabalho à frente do Nhô Quim. Nesta terça-feira (18), em entrevista concedida à rádio Jovem Pan News, o candidato voltou a externar o desejo de comandar o Nhô Quim. Nas eleições, marcadas para o mês de novembro, ele terá como adversário o empresário Ricardo Moura, atual vice-presidente e diretor de futebol do clube.

“O Celso (Christofoletti, presidente do XV) foi meu soldado, é meu amigo. Chamei ele e disse que queria ajudar o clube. Comecei a ir em diversos lugares, pedindo apoio. Também passei vergonha e fui humilhado, pois quando falamos do XV, tem aquele que gosta, que é apaixonado, mas também tem aquele que acha que lá só tem vagabundo. Essa é a verdade. O Celso é um herói, merece uma medalha, pois tocar o XV na situação em que está, é muito difícil”, disse Gomes.

‘Não sou o salvador da pátria, mas estou com uma equipe muito forte, engrenada para tornar o XV um clube vencedor’

“Um dia, o Celso me procurou e disse que ele e a família não aguentavam mais, e que eu era o seu candidato. Eu só queria ser um colaborador. Foi então que reuni minha equipe, pois contava com o apoio dele, além do Luís Guilherme (Schnor, presidente do Conselho Deliberativo), que também dizia que iria me apoiar […] Tenho todos os dados do XV. Não estou dizendo que está falido, mas se fosse uma empresa, dificilmente alguém iria investir. Mesmo assim, é possível trabalhar com o que está aí”, afirmou.

Apesar da manifestação de apoio em um primeiro momento, segundo Gomes, o atual mandatário “mudou de opinião” após Ricardo Moura anunciar sua intenção de concorrer ao cargo de presidente na próxima eleição. “O Celso e o Luis Guilherme me procuraram e pediram desculpas, pois apoiariam a candidatura do Ricardo, que é da chapa dele e já o apoiou. Eu entendi e não vou ficar aborrecido pelo apoio, mas ele tinha um compromisso comigo e foi por isso que me envolvi”, contou.

“Se soubesse que aconteceria isso, eu nem teria me envolvido, pois não preciso disso. Não uso o XV de Piracicaba para trampolim político, pois estou no meu quinto mandato (Câmara de Vereadores) e nunca precisei do clube para me eleger […]. Não sou o salvador da pátria, mas estou com uma equipe muito forte, engrenada para tornar o XV um clube vencedor”, completou Capitão Gomes. Confira abaixo trechos da entrevista realizada na manhã desta terça-feira.

VICE-PRESIDENTE

“O Calil (Luiz Carlos, ex-presidente da Caterpillar Brasil) é meu amigo e também do Adilson Maluf (ex-presidente do XV). O Adilson teve uma conversa com ele e estamos esperando sua volta do exterior, mas não sei se ele aceitará o convite, é um homem de muitos compromissos. O convite foi feito para o Calil ser meu vice-presidente. Um outro nome que eu gostaria muito de ter como vice-presidente é o Arnaldo Bortoletto (presidente da Coplacana). Estarei com ele essa semana e vou convidá-lo, pois fortalece a chapa. É um nome forte, de respeito. Quero uma chapa forte, não para ganhar eleição, mas para dar qualidade à diretoria do XV. São pessoas que têm ideias e prestígio na sociedade, para que o XV realmente venha a ser forte”.

FUTEBOL

“Estão comigo os ex-jogadores do XV, Douglas Pimenta, Dimas e Marlon. Tenho uma equipe de profissionais em Piracicaba, capacitados para tocar a parte profissional. Temos que fazer um planejamento a médio prazo, não só para a Copa Paulista e Série A2. Se o jogador é bom, não podemos dispensá-lo, temos que correr atrás de parceiros para mantê-lo. Nosso plano de trabalho é para levar o XV para a Série A1 do Paulista e Série B do Brasileiro. O torcedor não quer saber se tenho plano de trabalho, se tenho dinheiro. Ele quer ir ao estádio e ver o time jogar bem, ganhar, sair de alma lavada e chegar feliz em casa. Eu não quero pegar o XV para ficar doente, sofrendo, eu tenho família. Quero o XV com a equipe trabalhando bem e com a cidade compreendendo o trabalho”.

AUXÍLIO

“Os ex-presidentes do clube Renato Bonfíglio, Rodrigo Boaventura, Luis Beltrame e Adilson Maluf são meus amigos e também conselheiros para mim. Ninguém vai fazer parte da diretoria. Quero pedir conselhos para a imprensa e para eles, para saber onde erraram e onde eu não posso errar. É algo meu, pois sempre trabalhei assim. Militar não trabalha sozinho. Posso ser o melhor general do mundo, mas se não tiver soldados para puxar o gatilho, vou perder a guerra. Posso ser o melhor presidente, bem-intencionado, mas se não tiver gente comigo, eu vou perder. E vou pegar quem? O Zé da esquina, que nunca entrou no XV? Tenho que saber com quem passou pelo clube e já conhece como são os problemas”.

(Líder Esportes)