Ex-presidente da CBB é suspenso por 10 anos e entidade promete medidas judiciais

Em Assembleia Geral Ordinária da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), realizada nesta segunda-feira, Carlos Nunes, ex-presidente da entidade, foi suspenso por dez anos e passou a ficar proibido de se eleger a qualquer cargo do organismo nacional ou em outros filiados ao mesmo durante este prazo.

Esta foi a primeira assembleia realizada desde a instituição do novo estatuto da CBB e contou com 24 presentes, entre eles ídolos históricos do basquete do País como Oscar Schmidt, Paula e Marcel. Este grupo apoiou, por unanimidade, a aplicação da punição ao ex-mandatário sob acusação de prática de gestão temerária, assim como prometeu “medidas judiciais cabíveis referentes a atos ilícitos de sua gestão”.

Nunes ficou na presidência da CBB entre 2009 e março de 2017, quando deu lugar a Guy Peixoto, eleito novo presidente em uma disputa no qual superou o candidato Amarildo Rosa. E esta suspensão ao ex-dirigente foi tomada após a apresentação de um relatório produzido por uma auditoria contratada pela nova gestão que constatou uma dívida acumulada cujo passivo, até dezembro do ano passado, era de R$ 38 milhões. Segundo a CBB, o trabalho da BDO também apontou uma “série de irregularidades”.

“Desde que me tornei candidato disse que contrataria uma auditoria e assim fiz. Foi uma despesa minha porque a CBB não teria recursos para tal. Fiquei fortemente impressionado com a situação que a confederação viveu nos últimos anos”, afirmou Guy Peixoto, por meio de nota oficial publicada pela entidade que comanda o basquete brasileiro.

“O relatório apresentado pelo secretário-geral da CBB, Carlos Fontenele, aponta irregularidades diversas: a omissão frequente de valores no balanço; a assinatura de um só funcionário, contrariando o estatuto, confissões de dívidas sem a devida comprovação de serviços prestados, existência de um sistema extra contábil; contratos assinados apenas pelo presidente com data além de seu mandato e adiantamentos para empresas sem justificativas que provocavam ajustes para viabilizar o balanço”, informou a CBB ao enumerar as supostas irregularidades da gestão de Nunes.

Em seguida, a entidade destacou que a auditoria ainda apontou gastos ilícitos por meio de cartão de crédito corporativo, como por exemplo o pagamento de cruzeiros, viagens e hospedagem de familiares do ex-presidente, além de saques com o cartão deste tipo sem justificativa e até quitação de cartão de crédito de membros da família de Nunes.

“Agora que ficou clara a conduta administrativa do ex-presidente, que culminou com a situação em que a CBB se encontra hoje, queria propor à Assembleia deliberar o enquadramento dele por gestão temerária”, afirmou o ex-jogador da seleção brasileira Cadum, um dos eleitos para representar os atletas na CBB nesta assembleia e que cobrou a punição a Nunes.

Também no encontro da última segunda-feira foi aprovado o pedido da atual gestão de prorrogação de 40 dias para a prestação de contas da CBB em 2017, o que ocorrerá em uma nova assembleia. “O relatório da BDO apontou pontos relevantes de períodos anteriores que ainda passam por apuração. Isso impacta no balanço de 2017”, justificou André Simões, da MCS Markup, empresa contratada para auditar o primeiro ano de gestão de Guy Peixoto.

“Na última reunião de trabalho a auditoria mostrou que não era possível emitir o parecer sem que fossem reabertos os números de 2016 para que sejam confrontadas as discrepâncias entre o balanço auditado e o relatório da BDO”, explicou também Carlos Roberto Fontenelle, secretário-geral da CBB.

Ao comentar a punição aplicada a Nunes, a ex-jogadora Paula enfatizou que assembleias como esta realizada na segunda-feira precisam ser frequentes para a promoção de melhorias na estrutura do basquete brasileiro. “Não podemos ver isso aqui como uma participação pontual. Temos que estar próximos. Nós somos responsáveis sim pelo que acontece na CBB, não podemos nos eximir e temos que olhar tudo com bastante atenção para não repetirmos os mesmos erros”, ressaltou.