Exemplo a ser seguido

“É a minha casa”. Assim define o aposentado Edson Sartori, de 60 anos, ao ser indagado sobre o Centro Comunitário do Jardim Primavera. Na última sexta-feira (9), a repórter Claudete Campos esteve no bairro para conversar com os moradores. Ela encontrou um espaço que, literalmente, foi abraçado pela comunidade, há exatos 47 anos. Na página A5 desta edição, aos relatos de Sartori se somam muitos outros, de pessoas que mantêm vínculo afetivo com o espaço.
 
Mais do que zelo pelo patrimônio, a história do centro comunitário demonstra o poder de transformar o meio em que se vive. Para casos assim, não há desculpas de falta de recursos dos órgãos públicos. Aquilo é a vida da pessoa, sua realização e ela fará o que estiver ao seu alcance para que o melhor ocorra, assim como deve ser feito dentro de casa, como bem classificou Sartori.
 
A frequência de moradores vizinhos — dos bairros Vila Fátima, Jardim Industrial e Areão — ilustra bem como o acolhimento faz a diferença. É como coração de mãe: sempre cabe mais um.
 
Nesse contexto, é inevitável que carinho seja o sentimento que Antonio Carlos Machado, de 64 anos, tem pelo lugar. Ele frequenta o centro comunitário desde a fundação, passou pela fase dos bailes e hoje vê os filhos e netos de seus amigos usufruírem de algo que é de todos.
 
Basta ir em qualquer bairro de Piracicaba, em especial os mais distantes, para notar que a maior preocupação dos pais, hoje, é com a ocupação de suas proles. Atividades que afastem as crianças e adolescentes do ostracismo (hoje incentivadas com o universo de smartphones e games) e ao mesmo tempo que as distanciem das más companhias, ou mundo das drogas, como muitos dizem. Mas não é apenas esse público que precisa de ocupação. Todas as idades, cada uma a seu modo, precisam manter a mente e corpos ocupados.
 
É justamente o que faz o centro comunitário, ao oferecer atividades de esporte e lazer (como basquete, vôlei, zumba, ginástica e karatê, além de artesanato e pintura). É um exemplo dos mais raros, a ser seguido!