Fábio Rizzo de Toledo: Metade da vida dedicada à Polícia

(Foto: Claudinho Coradini/JP)

Nada escapa ao olhar minucioso do delegado Fábio Rizzo de Toledo, que completa em agosto 25 anos de carreira, onde viveu praticamente a metade de sua vida. Em outubro completa seus 50 anos. Os anos de experiência na corporação ajudam na realização de seu trabalho, principalmente quando o assunto é investigação. Na última semana, com a ajuda dos investigadores do 5o Distrito Policial, de Santa Teresinha, ele conseguiu prender quatro investigados em latrocínio (roubo seguido de morte) e tentativa de latrocínio. Um dos casos investigados envolve um idoso de 77 anos, que foi assassinado dentro de sua própria residência, no Santa Teresinha. Apesar de enfatizar que gosta de atuar mais nos crimes considerados contra vida. Para ele nada escapa da apuração de sua equipe. Até mesmo um furto de botijão de gás, pois somente a vida entende a importância do bem que foi levado pela criminalidade. Quem quiser saber um pouco da rotina dos policiais que trabalham com Toledo, basta acessar as redes sociais. Lá no Facebook, por exemplo são postados os vídeos, fotos, ou informações sobre os principais trabalhos, principalmente quando o assunto é prisões, crimes esclarecidos, ou mesmo alguns posicionamentos sobre questões polêmicas da atualidade.

Piracicabano nato, foi nesta cidade que ele sempre morou e depois mais tarde constituiu a sua família. Casado e pai de um filho de 12 anos, é para o conforto da família e dos amigos que pretende passar seu tempo, sempre que pode.

Toledo disse que vai ser policial civil para sempre, mesmo depois de aposentado, pois tem o privilégio de atuar na carreira que escolheu.

Por que decidiu entrar na Polícia Civil?

Fui motivado pelo meu pai, que na época era despachante policial e tinha muitos amigos delegados. Meu irmão (Gabriel Fagundes Toledo Netto) entrou na corporação já como delegado. Na época era officeboy. Consegui fazer minha faculdade de Direito na Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e depois consegui passar no concurso como delegado. Na verdade, acho que quis ser policial desde criança.

Quais foram os seus primeiros trabalhos como delegado?

Cursei a Academia da Polícia Civil, em São Paulo e depois como delegado, a primeira cidade que atuei foi em Rio das Pedras. Depois fui transferido para a Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) em Piracicaba. Assumi depois, o 2o Distrito Policial, fiquei uma época em Saltinho e depois voltei para a Dise. Fui transferido para Iracemápolis, em seguida para a DIG(Delegacia de Investigações Gerais) de Limeira. Assumi depois a Dise de Piracicaba e no 5o Distrito Policial, onde estou até agora.

Para o senhor somente as prisões são consideradas como resultados satisfatórios?

Entendo que nem sempre, eu acho que às vezes você esclareceu o furto de um carro importado e esclareceu o furto de uma bicicleta tem o mesmo valor, pois muitas vezes a bicicleta pode ter mais valor para aquela pessoa do que na outra situação.

O senhor é bastante atuante nas redes sociais, qual a sua avaliação sobre o mundo da internet?

As redes sociais têm o lado bom e ruim. Algumas pessoas utilizam de maneira errada, seja como o cometimento de crimes, ou para expor terceiros, mas quando usada corretamente é válida. Eu procuro nas redes sociais dar dicas de segurança, legislações, sobre o resultado do serviço policial, pois muitas vezes a sociedade não tem o conhecimento. Como a Polícia Civil tem essa função de investigar, nem sempre as pessoas sabem como é o nosso trabalho.

Já usou as redes sociais para a investigação?

Considero que as redes sociais são uma fonte de informações. Se houver necessidade de usá-las durante a investigação, a nós usamos. Inclusive já usamos no passado, para fazer o reconhecimento de um autor de roubo.

Qual o diferencial do trabalho realizado no 5o Distrito?

Considero que se deve ao apoio e lealdade dos funcionários. Quando conseguimos o resultado positivo no trabalho é fruto de cada um dos funcionários.

Qual a sua opinião para assuntos polêmicos como, por exemplo, a liberação das drogas?

Sou totalmente contra a liberação das drogas, até mesmo da maconha, pois é alucinógena, causa dependência psíquica e é uma porta de entrada para droga mais fortes. É mentira essa informação de que maconha não faz mal.

Qual a sua opinião sobre a maioridade penal?

Sou a favor de que o adolescente que tenha conhecimento que o ato dele é errado, ele deve ser responsabilizado criminalmente. Hoje a maioridade penal baseia na tese de que o adolescente ainda não tem o convencimento psicológico totalmente formado. Só que isso é de 1940. Não podemos dizer que um adolescente de 16 ou 17 anos não sabe o que está fazendo. Até mesmo nível de velocidade que as informações estão chegando a todo momento. Isso tem que ser revisto.

Qual é a sua conduta enquanto delegado sobre a apreensão de adolescentes?

No distrito policial eu adoto a questão da seguinte maneira. Fazemos uma consulta. Se é a primeira vez que está envolvido no tráfico por exemplo, a gente acaba liberando mediante o compromisso do responsável em apresentá-lo no Fórum, porém se tem outros atos infracionais no tráfico, faço o boletim de ocorrência e represento ao Ministério Público ou Juízo da Vara da Infância e Juventude pela apreensão do adolescente na Fundação Casa, pois entendo que ele está reiterando sua atuação no tráfico por achar que está impune.

Qual é a sua análise sobre a Polícia Civil hoje?

Entendo que a Polícia Civil está passando por uma situação delicada principalmente no tocante ao efetivo, que é o nosso principal problema, porém não podemos ficar se baseando nisso para justificar que não se fez uma investigação ou se prendeu. Sempre falo que nas unidades, onde atuo, os meus funcionários sempre estão se sacrificando para dar uma resposta à sociedade. É lógico que se tivesse um efetivo maior, isso tornaria mais fácil e um resultado ainda melhor.

O que representa a Polícia Civil para o senhor?

A Polícia Civil representa simplesmente tudo o que eu tenho. Fui officeboy e depois delegado de Polícia. Minhas maiores alegrias e frustrações ocorreram dentro da Polícia Civil. Foram 25 anos dedicados à corporação. Sou apaixonado pela minha profissão, sou apaixonado pela a minha instituição. Defendo a Polícia Civil, muitas vezes não sou compreendido por defender demais a minha corporação, mas isso eu vou levar comigo até eu morrer, pois mesmo aposentado eu vou continuar defendendo e amando a minha instituição.

O que representa Piracicaba para o senhor?

Sou piracicabano nato, filho da terra, nasci, cresci e nunca deixei Piracicaba. Mesmo trabalhando em outras cidades. A família da minha esposa é piracicabana, meu filho é piracicabano. Tenho um amor incondicional por essa cidade. Quero que Piracicaba seja um município melhor, porque o meu filho está crescendo aqui. Eu tenho paixão por Piracicaba. Já tinha chance de mudar para outra cidade, mas não consigo cortar o cordão umbilical por essa cidade.

Você deixaria que seu filho fosse um policial?

Meu filho ainda é muito novo para decidir o que quer ser, mas ele me acompanha, ouve alguns relatos em casa de fatos policiais e se interessa. Caso decida ser um policial será um grande orgulho para mim. Terá meu apoio.

Fora da polícia, o que gosta de fazer?

Eu adoro pratica esportiva. O dia que não consigo fazer alguma atividade parece que está faltando algo para mim. Mesmo quando sei que tenho um compromisso, eu levanto às 5 h para fazer uma atividade. Seja correr, andar de bicicleta, ir para academia. Eu adora futebol, mas parei por conta de lesões, mas adoro fazer atividade esportiva. São nesses momentos que a gente libera a tensão no dia a dia. Acho que sou viciado em endorfina. Gosto da sensação de realizar os meus exercícios. Pratico todos os dias, até mesmo nos finais de semana.

O que faz em seus momentos de lazer?

Muitas vezes me perguntam se gosto de algum filme. Sempre respondo que meu negócio é cinema. Adoro filme infantil, ia sempre com meu filho. Tem um filme que não sei contar quantas vezes eu assisti, e se tiver a oportunidade, assisto novamente que é “O Gladiador”. Gosto do filme todo. Eu adoro esse clima de cinema.

Gosta de ficar com os seus amigos?

Adoro ficar com os meus familiares, mas também gosto de ficar com os meus amigos, muitos são os mesmos da época de infância. Independente da condição ou bairro onde moramos. Somos amigos desde criança e continuamos mantendo e cultivando as amizades mesmo ao longo de nossas vidas.

Acha importante dedicar um tempo a mais para a família?

Pelo menos um dia no final de semana gosto de ficar em casa, com minha esposa e meu filho. Às vezes até estamos acompanhados de alguns amigos, mas gosto muito do ambiente familiar.

Cristiani Azanha