• Falta de água continua em diversos bairros de Piracicaba

Falta de água continua em diversos bairros de Piracicaba

Moradores estão sem água desde terça-feira (12) (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A cidade de Piracicaba enfrentou ontem um colapso generalizado no abastecimento de água. Bairros de várias regiões tiveram o abastecimento suspenso por falhas na energia elétrica e rompimento de adutoras. Moradores de um condomínio localizado no Jardim São Francisco enfrentaram ontem o quarto dia consecutivo sem água. Eles reclamam de estarem sem o recurso há vários dias e fizeram duras críticas ao Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto) e à prefeitura. A comerciante Larissa Pezzoto de Carvalho disse que a interrupção ocorreu na noite de terça-feira. Ela se queixou da apatia do serviço municipal em resolver o problema e disse que, ao ligar no atendimento ao consumidor, só recebeu respostas evasivas. “As minhas vizinhas foram obrigadas a tomarem banho no clube e usar a água da piscina para a descarga no banheiro”, contou afirmando que não vai todos os dias ao condomínio.

Grávida de seis meses, a dona de casa Fernanda Loures Martins, disse que está comprando água para consumo e refeições e precisou usar parte de um galão de 20 litros para dar banho na filha de cinco anos. “Eu estou grávida, com criança e idoso em casa e nas torneiras não sai uma gota, o que está acontecendo?”, questionou. Ela disse que mora na cidade há sete meses e metade desse tempo ficou sem água.

O funcionário público Marcos Antônio da Silva, morador no bairro Terra Rica disse que enfrenta o problema desde anteontem. “Ontem (quinta-feira) acabou às 9h, retornou às 19h30 e depois de uma hora acabou e não voltou mais”, disse. Silva contou que não conseguiu falar com os atendentes do Semae.

Linda Inês Martins de Paula, moradora Parque Taquaral, entrou em contanto com a redação ontem às 18h30. Ela disse que estava sem água há três dias e citou que o comunicado do Semae informava o restabelecimento às 15h de ontem, o que segundo ela, não ocorreu.

Por meio da assessoria de imprensa, o Semae informou que na madrugada de quinta-feira houve um problema na rede de energia elétrica e o problema foi solucionado ainda na madrugada mas houve comprometimento no abastecimento de água para a região do Dois Córregos/Cecap. Porém, por volta do meio dia, já havia sido regularizado o abastecimento com o enchimento dos reservatórios. Nesta manhã (15) houve o rompimento de uma adutora, o que prejudicou novamente o abastecimento para a região do Cecap. Apesar de ser um local de difícil acesso, nas primeiras horas da última sexta-feira (15), o Semae já estava fazendo o reparo. Houve comprometimento no abastecimento, mas que já estava sendo regularizado na tarde de sexta.

JURÍDICO DO LEGISLATIVO ANALISA QUEBRA DE ACORDO

O departamento jurídico da Câmara de Vereadores de Piracicaba ainda analisa o pedido de quebra de decoro parlamentar contra o vereador Marcos Abdala (PRB) protocolado no dia 21 de fevereiro por um grupo de servidores do Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto).

De acordo com a assessoria de imprensa do Legislativo, após receber o documento, o presidente da Casa, Gilmar Rotta, encaminhou ao setor para que emita o parecer.

O pedido de quebra de decoro foi motivado por uma conversa em áudio do vereador com outra pessoa, na qual o parlamentar atribuiu aos funcionários da autarquia os problemas com falta de água que ocorrem na cidade.

Segundo os servidores, depois da divulgação do áudio, as equipes que fazem trabalho externo passaram a ser ofendidas hostilizadas pela população, alguns funcionários.

No dia do protocolo do documento, a servidora Ana Paula Classere usou a tribuna e pediu medidas contra o vereador.

Em entrevista ao JP, Abdala reconheceu que errou a fazer as declarações e disse que as fez em defensiva às cobranças da população aos vereadores que, como ele, foram contrários à instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) proposta para investigar possíveis irregularidades no Semae.

“Eu errei ao pontuar e dei justificativas infelizes”, disse. “Sempre fui muito bem atendido pelos funcionários de todos os setores da prefeitura”, afirmou na época.

Conforme o parecer do setor jurídico da Câmara, o presidente deve fazer o encaminhamento do processo por quebra de decoro.

ESCOLA NO CAXAMBU SEM ÁGUA

A falta d’ água em Piracicaba , que atingiu o auge ontem, teve início na quinta-feira. Nesse dia, mães de alunos da escola municipal Joaquim Carlos Alexandrino, no bairro Caxambu, reclamam de que o estabelecimento está sem água. Elas se queixam que, apesar do problema, as aulas não são suspensas e criticam o fato de as crianças terem permanecido sem água nos bebedouros e nos banheiros.

Pelo Facebook, a mãe de uma criança, Tatiana Favero Rossetto, criticou a situação e disse ter ouvido de uma professora que, mesmo sem água, era preciso manter as crianças na escola. “Então senhores do Semae, meu filho está dentro de uma escola sem água, isso é caso de polícia, como pode alunos e funcionários dentro de uma escola sem água?”, questionou.

Outra internauta, Meire Cordeiro, classificou a situação como palhaçada. “Muita palhaçada isso, minha filha estuda lá acho insustentável pois a tarifa de água do nosso bolso é alta e como não tem água?”, postou.

SEM ABASTECIMENTO

Por meio da assessoria de imprensa, a Secretaria de Educação do município informou ontem que a falta de água na escola foi provocada por falta de abastecimento. Segundo a pasta, ainda assim, medidas adotadas pela equipe escolar possibilitaram a garantia do dia letivo. A água reservada na caixa foi suficiente para higienização dos banheiros. Segundo a assessoria de imprensa, o Conselho de Escola comprou galões de água e a alimentação das crianças foi mantida normalmente pela Divisão de Alimentação Escolar.

“Todo o suporte oferecido foi suficiente para que não houvesse prejuízo pedagógico aos alunos”, informou em nota. A escola municipal Joaquim Carlos Alexandrino atende a 590 alunos sendo 384 no Ensino Fundamental e 206 crianças na Educação Infantil nos períodos da manhã e tarde.

O setor de comunicação não informou quantos funcionários e professores atuam na escola.

Beto Silva