Falta de manutenção do asfalto prejudica motoristas no Unileste

Criado no final da década de 1970, sendo o primeiro distrito industrial de Piracicaba, o Unileste hoje vive uma situação de abandono, o que prejudica o bom funcionamento das mais de 115 empresas instaladas na região. Entre os principais problemas, segundo apontam trabalhadores e funcionários que transitam pela região, é a má qualidade do asfalto, tendo ruas em que o pavimento já desapareceu e diversas “crateras”, que viram obstáculos aos motoristas, principalmente, em períodos de chuvas mais intensas como o atual.
 
A reportagem do Jornal de Piracicaba percorreu as principais ruas do distrito e conversou com trabalhadores e empresários, que indicaram os piores trechos para fluxo de veículos. As que estão “abandonadas” há mais tempos, segundo eles, são: Benedito de Andrade, Phelipe Zaidan Maluf, Antonio Borja Medina e Eugênio Losso. “Nossa rotina é de malabarismo, nessa balanceira toda, neste bate-bate dentro da carroceria”, disse o caminhoneiro Anderson Ricardo Zocca, 29.
 
Segundo ele e o amigo, também caminhoneiro, Rodivaldo Luís Brante, 36, há mais de dois anos eles carregam o caminhão no distrito e são obrigados a passar pelas ruas Benedito Andrade e Phelipe Zaidan Maluf, já que precisam acessar a rodovia Luiz de Queiróz (SP-304). “As ruas, como estão, trazem muitos problemas e gastos. Já me falavam da promessa de arrumar, mas até agora não vi nada. São dois anos sem melhoria alguma aqui neste trecho”, completou Brante.
 
De acordo com os trabalhadores, a condição de “total” abandono desta região acaba encarecendo o seu serviço, além da dificuldade de conseguir um bom valor no frete. “O frete que recebemos é baixo e o nosso custo é muito alto. Nós que passamos duas ou três vezes aqui todo dia para carregar, chega uma hora que a ‘vaca vai pro brejo’, porque quebram embuchamento, molas, pneus. Só um pneu, se rasgar ou estourar, o custo médio é de R$ 1.400”, lembrou Zocca.
 
Também há dois anos instalado no Unileste, o empresário Almir Junior Bottani, 33, diz que a melhor definição para o problema é descaso. “Há pouco tempo, vieram trocar uma tubulação aqui e não voltaram mais para remendar o asfalto. Vira e mexe o mato cresce para dentro da avenida. Esta situação deixa a gente desanimado, já que sempre há a promessa de melhoria, que nunca chega”, apontou.
 
Conforme explicou Bottani, nos últimos cinco meses, com a melhora da economia, novas empresas voltaram a se instalar no Unileste e o movimento aumentou, como também o perigo. “Se compararmos ao Distrito Uninorte, aqui está bem abandonado. Na minha empresa precisei investir muito em segurança por causa da situação do distrito. Hoje tenho guarda na portaria, cerca elétrica, monitoramento por câmeras, além de contratação de segurança patrimonial.”
 
RESPOSTA — Sobre o recape de ruas no distrito, a Semob (Secretaria Municipal de Obras) informou que realiza periodicamente os serviços de manutenção do pavimento da região. Lembrou também que se reuniu, em diversas ocasiões, com os empresários locais para discussão de melhorias na infraestrutura, em encontros normalmente organizados pela Semdec (Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico). “As intervenções no local são, em geral, complexas por conta das vias largas e do intenso fluxo de veículos pesados que circulam por lá. Está em licitação — abertura do certame no início de janeiro de 2018 — a execução de uma remodelação viária, com construção de rotatória, no cruzamento das ruas Antonio Borja Medina com João Franco de Oliveira, com área de recape de 1.430 metros quadrados”.
 
Em relação à falta de segurança, a Guarda Civil Municipal informou que mantém patrulhamento extensivo com duas viaturas que realizam rondas diurna e noturna e que contam com apoio do patrulhamento rural e da base móvel, que constantemente circulam pelo local. “A GCM atende 24 horas pelos telefones 153 e 3422-0023”.